Entidades criticam listas de boicote a empresas por posição política

Compartilhar
Entidades criticam listas de boicote a empresas por posição política
Foto: Rovena Rosa / Agência Brasil
Compartilhar

Entidades empresariais, seccionais da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e órgãos ligados ao sistema de Justiça passaram a alertar para os riscos jurídicos e democráticos de listas que identificam empresas, comerciantes, profissionais liberais e trabalhadores com o objetivo de promover boicote por razões políticas. Os relatos de constrangimento, discriminação e retaliação aumentaram nas semanas seguintes às eleições de 2026.

O setor de bares e restaurantes está entre os mais afetados pela circulação desse tipo de conteúdo. Em nota intitulada “Abrasel repudia listas de boicote e discurso de ódio após as eleições”, a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes afirmou que os empresários representados pela entidade têm diferentes convicções políticas e que a diversidade de opiniões deve ser respeitada.

A Abrasel também advertiu que campanhas destinadas a prejudicar economicamente empresas e trabalhadores podem resultar em responsabilização civil e judicial. Segundo a associação, os efeitos não atingem apenas os proprietários dos estabelecimentos, mas também funcionários que dependem da atividade para obter renda.

- PUBLICIDADE -

“A divulgação dessas listas pode configurar ato ilícito e sujeitar os responsáveis a ações na Justiça”, informou a entidade. A associação acrescentou que consumidores são livres para escolher onde comprar, comer ou beber, mas nenhum estabelecimento pode discriminar ou se recusar a atender alguém por causa de seu posicionamento político ou ideológico.

A OAB do Tocantins também divulgou nota de repúdio a listas que expõem empresas, profissionais e cidadãos por suas preferências políticas. A entidade destacou que a liberdade de manifestação e a pluralidade de ideias são pilares do Estado Democrático de Direito. Para a seccional, divergências eleitorais não podem justificar perseguição econômica, exposição pública ou restrição de direitos.

O Ministério Público do Trabalho (MPT) identificou o uso de plataformas digitais para pressionar empresários a vigiar, expor, deixar de contratar ou demitir funcionários por causa do voto. Por isso, procuradores ajuizaram ação civil pública contra a Meta, empresa responsável por plataformas como Instagram, Facebook e Threads, para que publicações desse tipo sejam retiradas do ar.

De acordo com o MPT, perfis passaram a convocar empregadores a verificar as redes sociais de trabalhadores para descobrir em quem eles votaram e demitir aqueles com preferência política diferente da dos patrões. O procurador do trabalho Maurício de Mello informou que foram recebidas 1.140 denúncias de assédio eleitoral nos três dias posteriores ao pleito. Desde o início da campanha, o total chegou a 3.080 registros.

O presidente do Tribunal Superior do Trabalho, Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, afirmou que essas práticas também atingem profissionais autônomos e pequenos estabelecimentos que manifestaram posicionamentos políticos.

Para a ex-deputada federal Manuela d’Ávila (PCdoB), a identificação pública de empresas e profissionais para estimular prejuízos econômicos é uma prática autoritária. O professor Francisco Carlos Teixeira, da UFRJ e da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército, relacionou historicamente a organização de listas a regimes autoritários, citando perseguições ocorridas na Alemanha nazista e durante a ditadura militar brasileira.

Compartilhar

Deixe um comentário

Deixe um comentário

Leia Também
Ato de estudantes da UFF em Niterói inicia mobilização após primeiro turno

Ato de estudantes da UFF em Niterói inicia mobilização após primeiro turno

Um protesto convocado por estudantes da Universidade Federal Fluminense (UFF) reuniu centenas...

EBC conclui republicação de conteúdos retirados durante defeso eleitoral

EBC conclui republicação de conteúdos retirados durante defeso eleitoral

A Empresa Brasil de Comunicação (EBC) concluiu, na quarta-feira (28), a republicação...

MPT pede à Justiça que Meta remova postagens de assédio eleitoral

MPT pede à Justiça que Meta remova postagens de assédio eleitoral

O Ministério Público do Trabalho (MPT) acionou a Justiça nesta quinta-feira (29)...

Campanha orienta trabalhadores sobre denúncias de assédio eleitoral

Campanha orienta trabalhadores sobre denúncias de assédio eleitoral

Trabalhadores que possuem a Carteira de Trabalho Digital receberão mensagens com orientações...