O Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes da Universidade Federal do Espírito Santo (Hucam-Ufes) participa de uma pesquisa internacional que busca desenvolver novos tratamentos e identificar caminhos para a cura da hepatite B. O estudo é liderado pela Faculdade de Medicina da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, e reúne instituições do Brasil, Índia, Senegal e Uganda.
Além do Hucam-Ufes, a Universidade de São Paulo (USP) representa o Brasil no consórcio. A pesquisa analisa, em nível celular, o comportamento do vírus em pacientes de diferentes países e as respostas imunológicas das pessoas infectadas. Também serão avaliados pacientes com coinfecção pelos vírus da hepatite B e HIV.
Segundo a professora Tânia Reuter, do Hucam-Ufes, a hepatite B ainda não tem cura, e esse é o principal objetivo global do trabalho. A investigação também está relacionada à meta da Organização Mundial da Saúde (OMS) de eliminar as hepatites virais como problema de saúde pública até 2030.
O consórcio foi criado em 2023, suspenso em 2024 e retomado no ano seguinte. No Brasil, o estudo começou em 2026 e deverá durar cerca de cinco anos. A metodologia combina pesquisa básica, voltada à compreensão dos mecanismos da doença, com a prática clínica.
Ao todo, serão acompanhados 600 pacientes com hepatite B ou com hepatite B e HIV por aproximadamente quatro anos e meio. Serão 150 participantes de cada país. A equipe de Tânia Reuter ficará responsável por 75 pacientes no Brasil. O recrutamento começou em julho e já conta com 40 participantes. A previsão é completar o grupo até o fim de 2026, dentro do prazo estabelecido pela pesquisa, que vai até meados de 2027.
Os pesquisadores pretendem identificar por que o vírus evolui de maneira diferente em cada pessoa, quais características genéticas podem proteger contra uma progressão mais rápida e quais subpartículas virais podem indicar possibilidades de cura ou tratamento. Os resultados também poderão apontar alvos para o desenvolvimento de medicamentos, incluindo terapias que estimulem ou modifiquem a resposta imunológica.
A hepatite B é uma infecção viral que atinge o fígado e pode evoluir para cirrose, câncer hepático e morte. De acordo com a OMS, cerca de 240 milhões de pessoas viviam com a infecção crônica em 2024. No Brasil, o Ministério da Saúde registrou 276,6 mil casos confirmados entre 2000 e 2022.
A transmissão pode ocorrer por via sexual, pelo contato com sangue contaminado e durante a gestação ou o parto, da mãe para o bebê. A principal forma de prevenção é a vacinação, disponível no Sistema Único de Saúde (SUS) para pessoas não vacinadas de qualquer idade. Também são recomendados o uso de preservativos e o não compartilhamento de objetos perfurocortantes ou de uso pessoal.





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