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Nova diretriz muda tratamento da tireoide na gestação

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Nova diretriz muda tratamento da tireoide na gestação
Foto: rech / Pixabay
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Gestantes que apresentam anticorpos contra a tireoide, identificados pelo exame anti-TPO, mas mantêm a função tireoidiana normal não devem receber levotiroxina como medida preventiva. A mudança integra o novo posicionamento da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia e da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia para o diagnóstico e o tratamento de alterações da tireoide durante a gravidez.

A recomendação foi apresentada nesta sexta-feira (28), no Rio de Janeiro, durante o 37º Congresso Brasileiro de Endocrinologia e Metabologia. As orientações têm como referência uma diretriz publicada pela Associação Americana da Tireoide (ATA) em junho deste ano, quase uma década após a versão anterior, de 2017.

A revisão considera três grandes estudos recentes, segundo os quais o tratamento preventivo com hormônio sintético não reduz os riscos de abortamento ou parto prematuro em gestantes com anti-TPO positivo e níveis normais de TSH e T4 livre. O anticorpo indica uma predisposição para desenvolver alterações na tireoide, mas não significa, por si só, que exista hipotireoidismo.

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Mesmo sem iniciar a medicação, essas gestantes deverão continuar sendo monitoradas, porque apresentam maior risco de desenvolver hipotireoidismo ao longo da gravidez. Para mulheres que já tinham hipotireoidismo antes de engravidar, permanece a orientação de aumentar em cerca de 30% a dose habitual do hormônio assim que a gestação for confirmada.

O Brasil também manterá o rastreamento precoce de todas as gestantes desde o início da gravidez. A ATA passou a sugerir uma testagem seletiva, concentrada em mulheres com fatores de risco, mas as sociedades brasileiras consideram que essa estratégia pode deixar de identificar casos em pacientes sem os critérios tradicionais.

Quando não for possível testar todas as gestantes, a prioridade deverá ser dada às mulheres com histórico de hipo ou hipertireoidismo, cirurgia ou tratamento anterior da tireoide, doenças autoimunes, histórico familiar de doença tireoidiana, infertilidade, dois ou mais abortamentos ou uso de medicamentos que interfiram na glândula. Idade materna, obesidade e número de gestações anteriores deixam de ser considerados fatores de risco isolados.

Outra alteração envolve o hipotireoidismo subclínico, caracterizado por TSH elevado e T4 livre normal. Para níveis de TSH entre 4,0 e 10 mUI/L, o tratamento passa a ser priorizado no primeiro trimestre, até a 12ª semana, período em que o desenvolvimento fetal depende mais do hormônio tireoidiano materno. Se a alteração for identificada no segundo ou terceiro trimestre, a orientação é acompanhar a função da tireoide e iniciar levotiroxina quando o TSH estiver acima de 10 mUI/L, salvo avaliação clínica específica.

As sociedades brasileiras também não recomendam aguardar de uma a três semanas para repetir o exame de TSH antes de decidir pelo tratamento. Segundo o endocrinologista Cleo Mesa Júnior, esperar pode fazer com que a paciente perca a oportunidade de iniciar a terapia no momento adequado.

Quanto ao iodo, a suplementação não será indicada automaticamente para todas as gestantes no país. A decisão deverá ser individualizada, especialmente em casos de dieta muito restritiva, alimentação vegana, baixo consumo ou ausência de sal iodado e situações de má absorção. Nessas condições, pode ser considerada a suplementação de 100 a 150 microgramas por dia.

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