Participantes do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2026 com histórico de crises de ansiedade, Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) e outras alterações emocionais poderão contar com acompanhante ou cão de apoio emocional durante a aplicação das provas. A medida é inédita e depende de solicitação feita no momento da inscrição e de aprovação do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).
De acordo com o edital, o acompanhante permanecerá em uma sala reservada e monitorada por fiscais. O espaço poderá ser utilizado quando houver necessidade de apoio ou estabilização do participante. Em entrevista à Agência Brasil, o ministro da Educação, Leonardo Barchin, destacou a possibilidade de presença de um familiar durante o exame, desde que o candidato tenha laudo adequado e o pedido aprovado.
“Se tiver o laudo adequado e a solicitação aprovada, se esse candidato, por exemplo, precisar ir ao banheiro, se houver outra necessidade, terá um acompanhante familiar. Este apoio emocional é muito importante”, afirmou o ministro. Segundo ele, o objetivo é tornar o Enem mais acessível e inclusivo.
A aplicação do exame neste domingo (8) conta com 138.329 solicitações de atendimento especializado confirmadas pelo Inep. Outra novidade desta edição é a inclusão de candidatos com fibromialgia entre as condições que podem motivar a solicitação de atendimento especializado ou de recurso de acessibilidade.
Entre os participantes que solicitaram atendimento está Maria Clara Gonçalves, de 18 anos, moradora de Cotia (SP). Estudante do 3º ano do ensino médio e diagnosticada com Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), ela afirma que prefere realizar a prova em salas com menos pessoas, para reduzir distrações causadas por ruídos e movimentação.
Maria Clara fará o Enem para tentar uma vaga no curso de medicina e pretende se especializar em neurologia. Já Isabella Magalhães, de 25 anos, que tem diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA) nível 2, participou da prova com atendimento especializado em 2017. Segundo ela, os principais desafios foram a duração do exame e o ambiente com muitas pessoas, barulho e circulação.
Para a psicopedagoga e especialista em educação especial Giselle de Oliveira Araújo, estudantes neurodivergentes precisam conhecer as próprias necessidades e utilizar estratégias que favoreçam a autorregulação. Entre as orientações estão apoiar os pés no chão, perceber o contato com a cadeira, relaxar os ombros, alongar as mãos, ajustar a postura e respirar lentamente.
A especialista recomenda que pausas estratégicas sejam testadas antes da prova, em simulados. Sinais como reler várias vezes a mesma frase ou perder a organização do raciocínio podem indicar sobrecarga. Os movimentos, entretanto, devem ser discretos e respeitar as regras de aplicação do Enem.
Segundo o Painel Enem 2026, as condições que mais motivaram pedidos de atendimento especializado ou recurso de acessibilidade foram déficit de atenção, com 51.724 solicitações (37,39%); TEA, com 34.723 (25,1%); baixa visão, com 9.792 (7,04%); e deficiência intelectual, com 8.922 (6,45%). Entre os recursos solicitados, aparecem tempo adicional, com 77.956 pedidos (34,47%); correção diferenciada, com 42.379 (18,74%); e auxílio para leitura, com 28.042 (12,40%).







































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