A prova de redação será um dos desafios dos mais de 5 milhões de inscritos no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2026, neste domingo (8). O candidato deverá produzir um texto de até 30 linhas, a partir de textos de apoio e de um tema proposto, seguindo as regras apresentadas no Guia do Participante.
O texto exigido é do tipo dissertativo-argumentativo. Nesse formato, o estudante precisa defender um ponto de vista sobre determinado assunto e sustentar sua posição com argumentos e explicações capazes de fundamentar a opinião apresentada.
A correção considera cinco competências, cada uma com pontuação de até 200 pontos. A soma pode chegar a 1.000 pontos. São avaliados o domínio da modalidade escrita formal da língua portuguesa; a compreensão da proposta e a aplicação de conhecimentos de diferentes áreas; a seleção, relação, organização e interpretação de informações, fatos, opiniões e argumentos; o uso dos mecanismos linguísticos da argumentação; e a elaboração de uma proposta de intervenção para o problema discutido, com respeito aos direitos humanos.
O rascunho não é considerado na correção. Por isso, o candidato deve reservar tempo para transcrever o texto para a Folha de Redação, que será efetivamente avaliada pelos corretores.
Segundo o professor de redação Renato Júdice, ouvido pela Rádio Nacional, o Enem não costuma cobrar temas genéricos, mas recortes específicos delimitados pelos textos motivadores. Assim, o assunto não seria simplesmente “inteligência artificial”, por exemplo, mas uma abordagem determinada, como o uso da tecnologia na educação.
Uma estrutura possível, de acordo com a orientação do professor, é dividir a redação em quatro parágrafos: uma introdução com a apresentação do tema e da tese; dois parágrafos de desenvolvimento, cada um voltado a uma dimensão do problema; e uma conclusão com a proposta de intervenção.
A intervenção deve ser concreta e detalhada. O candidato precisa indicar o que pode ser feito, quem deve executar a medida e quais recursos podem ser utilizados. Frases genéricas, como dizer que “a sociedade precisa mudar” ou que “o governo tem que tomar providências”, não apresentam uma solução suficientemente desenvolvida.
Entre as situações que podem levar à nota zero ou à anulação estão a fuga ao tema, textos com menos de oito linhas, a inclusão deliberada de trecho desconectado da proposta, o descumprimento da estrutura dissertativo-argumentativa e o desrespeito à seriedade do exame.
Os dez temas mais recentes foram: em 2025, “Perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira”; em 2024, “Desafios para a valorização da herança africana no Brasil”; e, em 2023, “Desafios para o enfrentamento da invisibilidade do trabalho de cuidado realizado pela mulher no Brasil”. A lista inclui ainda temas sobre comunidades tradicionais, registro civil, doenças mentais, acesso ao cinema, uso de dados na internet, educação de surdos e intolerância religiosa.
No domingo, a partir das 19h30, a Agência Brasil realizará a live “Resenha do Enem”, com professores convidados para comentar as questões e a redação. A transmissão poderá ser acompanhada pelos canais da Agência Brasil e da TV Brasil no YouTube, além de emissoras da Rádio Nacional.








































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