O Brasil atingiu, em 2025, a maior proporção de empreendedores com registro no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) desde o início da série histórica do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). De cada 100 empreendedores, 35 tinham CNPJ, o equivalente a 10,7 milhões de pessoas.
Os dados fazem parte de uma edição especial da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, divulgada nesta quarta-feira (23). No ano passado, o país tinha 103 milhões de pessoas ocupadas. Desse total, 30,6 milhões eram empreendedoras, grupo que reúne empregadores e trabalhadores por conta própria. Quase 20 milhões, ou 65%, não tinham registro no CNPJ.
Em 2012, primeiro ano da série, 24% dos empreendedores tinham CNPJ. A proporção chegou a 29,3% em 2019, último ano antes da pandemia, e avançou para 33,6% em 2024. A pesquisa não foi realizada em 2020 e 2021 porque a pandemia de covid-19 inviabilizou a coleta de dados.
O registro pode permitir a emissão de notas fiscais, o acesso a crédito e a serviços bancários empresariais, além da contratação formal de funcionários e do acesso a benefícios previdenciários. A formalização também contribui para a arrecadação de tributos.
Entre os empregadores, 81,1% tinham CNPJ em 2025. Segundo o IBGE, o indicador permanece em patamar elevado desde 2019, quando ficou acima de 80%. Já entre os trabalhadores por conta própria, a proporção foi de 27,1%, o maior percentual da série. Em 2012, era de 15%.
O analista da pesquisa, William Kratochwill, afirmou que, apesar do recorde, o nível de registro entre os trabalhadores por conta própria ainda é baixo. Ele relacionou o resultado ao grau de instrução, destacando que a formalização aumenta conforme cresce a escolaridade.
Entre os trabalhadores por conta própria com ensino superior, 50,8% tinham CNPJ. O percentual era de 29,7% entre aqueles com ensino médio completo ou superior incompleto. Nos grupos com ensino fundamental completo e médio incompleto, e sem instrução ou com fundamental incompleto, as taxas eram de 18,6% e 11%, respectivamente.
O IBGE associa parte do avanço a medidas de desburocratização e redução de custos, como o Microempreendedor Individual (MEI). O programa permite a formalização por conta própria com pagamento simplificado de impostos e acesso a direitos previdenciários, desde que o trabalhador cumpra requisitos como exercer atividade permitida, não ser sócio de outra empresa e respeitar o limite anual de faturamento de R$ 81 mil, salvo exceções previstas para algumas atividades.
Entre os setores pesquisados, o comércio e a reparação de veículos registraram a maior taxa de formalização, com 36,7%, seguidos por serviços, com 33,5%. A indústria geral teve 22,8%; a construção, 14,8%; e a agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura, 6,5%.
A pesquisa também apontou que 8,8% dos trabalhadores eram sindicalizados em 2025, o equivalente a 9,1 milhões de pessoas. O índice ficou estável em relação a 2024, quando foi de 8,9%, após recuar de 16,1% em 2012 para 8,4% em 2023.





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