Profissionais alertam para risco de suicídio associado à dependência em bets

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Profissionais alertam para risco de suicídio associado à dependência em bets
Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil / Arquivo
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Profissionais de saúde mental alertam para o risco de agravamento do sofrimento psíquico entre pessoas que desenvolveram dependência em apostas virtuais, conhecidas como bets. No Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, celebrado nesta quinta-feira (10), especialistas defenderam que o tema seja abordado de forma aberta durante os tratamentos e que familiares e amigos observem mudanças de comportamento.

Entre os sinais que exigem atenção estão desesperança, sensação de não encontrar saída, afastamento do convívio social, aumento do consumo de álcool e alterações importantes na rotina. Falas relacionadas à morte ou à vontade de não viver também devem motivar a busca por ajuda profissional.

A psiquiatra Katia Branco, supervisora do Grupo Pro-Amiti, do Hospital das Clínicas de São Paulo, afirmou que a ideação suicida precisa ser tratada com mais abertura em consultórios e grupos terapêuticos. Segundo ela, pessoas que procuram atendimento por ludopatia, condição marcada pelo desejo incontrolável de continuar jogando, frequentemente chegam com humor deprimido e ansiedade provocada por prejuízos financeiros.

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O neurocirurgião Orlando Maia, que atua no Rio de Janeiro, explicou que as apostas podem estimular o sistema de recompensa do cérebro pela expectativa de ganho. Esse mecanismo, segundo o especialista, pode se sobrepor aos mecanismos de controle das decisões, especialmente quando há repetição de ganhos e perdas. O quadro pode evoluir para depressão, frustração contínua e pensamentos suicidas.

Para os profissionais, a dependência nem sempre é reconhecida pela própria pessoa. Por isso, a participação de familiares e amigos pode ser importante. Além das dívidas, o problema pode provocar conflitos familiares, prejuízos no trabalho, insônia, ansiedade, culpa, vergonha e isolamento.

A psicóloga Claudia Feres, que trabalha em um Centro de Atenção Psicossocial (Caps) no Distrito Federal, relatou que a rede recebe pessoas com pensamentos suicidas ou que já tentaram tirar a própria vida. Ela defendeu o acolhimento do paciente e a inclusão da família na construção de estratégias de cuidado.

A psiquiatra Giovanna Quinet, da Clínica Revitalis, no Rio de Janeiro, ressaltou que apostar não leva necessariamente à depressão e que nem toda pessoa que joga terá pensamentos suicidas. O risco aumenta quando a atividade deixa de ser eventual, passa a ocupar espaço central na vida e provoca perda de controle e consequências negativas.

Segundo a especialista, a disponibilidade das plataformas praticamente 24 horas por dia, associada à publicidade, ao esporte e às redes sociais, pode facilitar a normalização do comportamento. Um ciclo comum envolve aumentar as apostas para tentar recuperar perdas e esconder da família a dimensão do problema.

Os profissionais recomendam não esperar o agravamento da situação para buscar atendimento. O tratamento pode envolver acompanhamento psiquiátrico, psicológico, medicação e outras estratégias de cuidado. Perguntar diretamente sobre pensamentos suicidas, afirmam, não induz o ato e pode abrir espaço para que a pessoa fale sobre o sofrimento.

Em caso de risco imediato, a orientação é não deixar a pessoa sozinha e procurar atendimento de urgência. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) atende pelo telefone 192. O Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece apoio emocional gratuito pelo número 188, 24 horas por dia. Também é possível buscar atendimento em um Caps da Rede de Atenção Psicossocial do Sistema Único de Saúde (SUS).

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