A Academia Brasileira de Ciências (ABC) e a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) manifestaram preocupação com possíveis interferências estrangeiras nas eleições brasileiras de 2026, especialmente diante de alertas sobre eventuais pressões provenientes dos Estados Unidos. Segundo as entidades, ações desse tipo poderiam afetar a soberania nacional, o funcionamento das instituições democráticas e a livre formação da vontade dos eleitores.
Em nota divulgada em 21 de setembro, ABC e SBPC defenderam a independência dos brasileiros para escolher seus representantes. As instituições afirmaram que nenhum Estado, governo, poder econômico ou ator externo deve tentar condicionar a decisão dos eleitores por meio de pressões políticas ou econômicas, manipulação do ambiente informacional ou uso indevido de tecnologias e plataformas digitais.
As entidades também destacaram que eventuais ações de interferência precisam ser identificadas e apuradas com base em evidências, transparência e respeito ao Estado Democrático de Direito. Para ABC e SBPC, a proteção da democracia envolve o acesso ao conhecimento, a liberdade de pensamento, a integridade das informações e a possibilidade de os cidadãos formarem suas convicções sem manipulações ou condicionamentos indevidos.
No fim de agosto, a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) elaborou um relatório reservado que apontou risco de influência ou interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras deste ano. O documento também teria indicado uma tendência de escalada da pressão norte-americana sobre o Brasil.
ABC e SBPC apoiaram a iniciativa do Instituto Vladimir Herzog de levar às Nações Unidas preocupações sobre possíveis ingerências no processo eleitoral brasileiro. O instituto pediu atenção internacional à defesa da soberania, do princípio da não intervenção e do respeito ao resultado proclamado oficialmente pela Justiça Eleitoral, independentemente do vencedor.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também abordou o tema durante discurso na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas, na terça-feira (22). Ele defendeu a soberania dos países e mencionou tentativas de influência estrangeira em processos políticos nacionais, sobretudo na América Latina e no Caribe. Lula citou situações recentes na Venezuela, na Nicarágua, no Haiti e em Cuba.
Na nota, as duas entidades convocaram instituições da República, comunidade científica e acadêmica, organizações da sociedade civil, meios de comunicação, plataformas digitais e a sociedade brasileira a permanecerem vigilantes em relação à integridade do processo democrático. Também reafirmaram a defesa de eleições livres e íntegras, da não intervenção externa e do reconhecimento do resultado oficialmente proclamado pela Justiça Eleitoral.
As eleições estão marcadas para 4 de outubro. Na data, os eleitores escolherão candidatos aos cargos de deputado estadual ou distrital, deputado federal, senador, governador e presidente da República.





Deixe um comentário