Pesquisa aponta que 20,4% dos estudantes já fizeram apostas online

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Pesquisa aponta que 20,4% dos estudantes já fizeram apostas online
Foto: Antônio Cruz / Agência Brasil
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Um em cada cinco estudantes dos anos finais do ensino fundamental e do ensino médio, o equivalente a 20,4% dos entrevistados, afirma já ter feito apostas online, conhecidas como bets. O dado foi divulgado nesta quarta-feira (9) pela Frente Parlamentar Mista da Educação, com base em uma pesquisa realizada em parceria com a Equidade.info.

O levantamento ouviu presencialmente 1.912 estudantes de 191 escolas de todo o país, durante os meses de agosto e setembro deste ano. A pesquisa indica que o contato com as apostas pode começar aos 11 anos: 9,5% dos alunos até essa faixa etária disseram já ter apostado.

A proporção aumenta entre os estudantes mais velhos. No 3º ano do ensino médio, 49,7% dos entrevistados relataram ter feito apostas online. O levantamento também identificou diferença entre os gêneros. Entre os meninos, 27,8% disseram já ter apostado, contra 12,6% das meninas.

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Considerando apenas o ensino médio, 41,7% dos meninos afirmaram ter feito apostas. O percentual é mais que o dobro do registrado entre os alunos do 2º ciclo do ensino fundamental, chamado de fundamental 2, no qual o índice entre os meninos foi de 19%.

No Brasil, menores de idade não podem ter acesso a plataformas de apostas online. Mesmo assim, os dados mostram que parte dos estudantes já teve contato com esse tipo de serviço. A pesquisa estima que as perdas acumuladas possam ultrapassar R$ 1 bilhão entre o público incluído no levantamento.

Para o professor e pesquisador Guilherme Lichand, coordenador do estudo e professor de Educação da Stanford Graduate School of Education, medidas baseadas apenas na mudança de comportamento dos usuários podem não ser suficientes para enfrentar o problema.

Segundo Lichand, estudos científicos indicam que orientações para que os próprios apostadores controlem perdas e ganhos não apresentam resultados suficientes. Ele defende medidas que atribuam maior responsabilidade às plataformas, como a proibição de publicidade e a cobrança de impostos relevantes sobre os valores movimentados pelas bets.

O pesquisador também afirma que a educação financeira, isoladamente, não tem se mostrado suficiente para impedir a exposição dos estudantes às apostas. De acordo com a pesquisa, alunos de escolas com maior proporção de estudantes com letramento financeiro apresentaram maior probabilidade de apostar e menor controle sobre ganhos e perdas.

Entre as recomendações apresentadas pelos organizadores estão o aumento da tributação sobre as transações realizadas nas plataformas, novas restrições à publicidade e medidas específicas de proteção para menores de 18 anos.

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