Mulheres defendem redes de apoio para ampliar participação na Justiça

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Mulheres defendem redes de apoio para ampliar participação na Justiça
Foto: Valter Campanato / Agência Brasil
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Comunicadoras, advogadas, influenciadoras e outras profissionais defenderam a articulação de redes de apoio entre mulheres como estratégia para combater o machismo, enfrentar a desinformação e ampliar a participação feminina nos espaços de poder. O tema foi discutido na conferência internacional “Mulheres que movem a justiça”, realizada até esta sexta-feira (6), em Brasília.

O evento reúne debates sobre a construção de uma Justiça mais igualitária no Brasil. Segundo as participantes, profissionais que atuam na produção e na disseminação de informação também devem contribuir para combater mensagens misóginas e conteúdos falsos.

Na quinta-feira (5), a presidente da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), Antonia Pellegrino, citou como exemplo histórico de articulação feminina o chamado “lobby do batom”. O grupo foi formado por deputadas federais e senadoras de diferentes partidos durante a Assembleia Nacional Constituinte de 1987-1988.

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Para Pellegrino, a organização das parlamentares contribuiu para a aprovação de direitos que permanecem em vigor. Ela também mencionou a previsão de que pelo menos 40% dos cargos vitalícios sejam nomeados na próxima década, o que, segundo ela, representa uma possibilidade de ampliação da presença de mulheres no Judiciário.

“Trabalhar em rede é algo que nós, mulheres, sabemos fazer há séculos. Atuar em rede, para quem é mulher, é estratégia de sobrevivência”, afirmou. A presidente da EBC acrescentou que redes de apoio podem ajudar a conter a desinformação, apresentada por ela como uma estratégia articulada por grupos radicais no Brasil e no exterior.

A advogada e influenciadora Sara Gabriela, responsável pela página “Seja a princesa que salva a si mesma”, defendeu o reconhecimento do machismo como um elemento cultural a ser enfrentado. Ela afirmou que o ordenamento jurídico brasileiro é avançado, mas que o combate à misoginia exige informações objetivas e concretas.

O projeto criado por Sara Gabriela começou em 2019, a partir da experiência dela no atendimento de pessoas vítimas de violência em comunidades de Goiás. De acordo com a advogada, a mudança depende também de uma transformação cultural.

Miriane Ferreira, que mantém uma página no Instagram com mais de dois milhões de seguidores, abordou a importância de divulgar informações jurídicas para que as mulheres reconheçam seus direitos. Ela citou casos de mulheres que deixam de reivindicar direitos sobre bens construídos durante o casamento por não terem exercido atividade profissional fora de casa, apesar de terem trabalhado nas tarefas domésticas e nos cuidados com a família.

A advogada Mayra Cotta, criadora da série “Afiadas”, exibida na TV Brasil, afirmou que as mulheres precisam atuar em rede para ocupar espaços de poder. Ela também criticou a forma como denúncias de violência e assédio são recebidas. As declarações sobre decisões judiciais e condutas de magistrados foram apresentadas por Cotta como uma avaliação do cenário enfrentado pelas mulheres.

A jornalista Thayse Xavier, fundadora da plataforma “Elas trabalham”, destacou a necessidade de incentivar a participação feminina na política. A cineasta Fernanda Amim, diretora do documentário “Reconhecidos”, defendeu a abertura de espaços por meio de histórias que abordem problemas como o racismo estrutural e institucional no sistema de justiça criminal.

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