Eleitores de diferentes idades e realidades foram às urnas neste domingo (25) no Distrito Federal para participar do segundo turno das eleições de 2026. Entre eles estavam Horácio da Silva, de 95 anos, que votou no Varjão, e Maria Teresa Neves Hora, que completou 16 anos há menos de um mês e participou pela primeira vez de uma eleição.
Morador do Varjão e natural de Icó (CE), Horácio chegou à única escola pública da região logo no início da votação, usando uma camiseta com a estampa de seu candidato. Apesar de o voto ser facultativo para pessoas com mais de 70 anos, ele fez questão de cumprir o compromisso eleitoral. Com preferência na fila, identificou-se pela digital do polegar e votou na cabine.
“Tem que votar para melhorar o Brasil”, afirmou o aposentado. A família se organiza para acompanhá-lo às urnas. No primeiro turno, a filha o levou. No segundo, a tarefa ficou com a neta Rayane Ferreira da Silva, contadora que mora perto do avô. Segundo ela, Horácio se preocupa com o futuro de filhos, netos, bisnetos e tataranetos.
Na Asa Norte, Maria Teresa votou acompanhada da família no Centro de Ensino Médio Paulo Freire. Influenciada pelos pais, a jovem tirou o título eleitoral e decidiu participar mesmo com o voto facultativo para adolescentes de 16 e 17 anos.
“É muito importante que os adolescentes votem, porque isso impacta a vida de todo mundo”, disse. Entre as expectativas para o país, citou mais igualdade social, oportunidades e respeito às pessoas, independentemente de religião ou de outras características.
O trabalho também marcou a rotina de parte dos eleitores. O chapeiro Janaildo Santana votou cedo em Brasília antes de seguir para a lanchonete onde trabalha. Para ele, a participação eleitoral está relacionada à defesa de direitos e à expectativa de melhorias nas áreas de saúde, educação e segurança.
A votação contou ainda com a participação de cidadãos que atuaram diretamente na organização do pleito. Aos 18 anos, a professora Orícia Azevedo Chaves presidiu uma seção no Varjão. Ela já havia trabalhado como secretária e mesária em eleições anteriores e disse considerar a atividade uma forma de exercer a cidadania.
A professora Ecleidiane Nascimento dos Santos atuou como fiscal de partido e acompanhou a votação no segundo turno. Ela afirmou que a função permite verificar o andamento do processo e observar situações como propaganda irregular, compra de votos ou indução do eleitor.
O Brasil tem mais de 158 milhões de eleitoras e eleitores aptos a votar. No Distrito Federal, são 2,56 milhões de pessoas habilitadas a escolher o governador ou a governadora e o próximo presidente da República. Entre os eleitores ouvidos pela Agência Brasil, as motivações incluíram segurança pública, manutenção do Benefício de Prestação Continuada (BPC/Loas), representatividade e defesa de direitos.
Os irmãos Dagoberto e Poliana Fernandes Leite, aposentados por incapacidade permanente devido a crises de epilepsia, votaram preocupados com a continuidade do benefício de um salário mínimo. Já João Lucas Sousa Rodrigues, de 19 anos, disse ter votado considerando sua trajetória como homem preto e gay.
Mesmo diante da polarização política, eleitores como Taylla Gabriele e a enfermeira Eliane Gomes dos Santos defenderam a participação popular e o diálogo entre pessoas com opiniões diferentes. Para Eliane, a política está presente no cotidiano e deve ser discutida com respeito e diversidade.





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