“Tiktokização” e crise institucional reduzem espaço para propostas eleitorais, diz Fenaj

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“Tiktokização” e crise institucional reduzem espaço para propostas eleitorais, diz Fenaj
Foto: Fernando Frazão / Agência Brasil
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A presidenta da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Samira de Castro, afirmou que a crise político-institucional e a busca por audiência instantânea estão reduzindo o espaço para propostas estruturais no debate eleitoral. Em entrevista à Agência Brasil, ela criticou a superficialidade da cobertura e disse que as campanhas passaram por um processo de “tiktokização”, no qual conteúdos voltados ao engajamento imediato ocupam o lugar da discussão sobre os problemas do país.

Segundo Samira, a crise relacionada a denúncias do caso Master já ultrapassou o Poder Judiciário e envolve outras instituições, como a Polícia Federal. Na avaliação dela, o episódio continuará dominando o noticiário e tende a manter em segundo plano as pautas tradicionalmente discutidas durante as eleições, como os programas de governo, as demandas da sociedade civil e os problemas nacionais.

“O debate eleitoral fica prejudicado porque, no primeiro plano, as atenções se voltam todas para a crise institucional”, afirmou. Para a presidenta da Fenaj, mesmo quando veículos promovem entrevistas com candidatos ou séries sobre questões estruturais, esse conteúdo acaba perdendo espaço diante da repercussão da crise.

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Samira também criticou o chamado jornalismo declaratório, baseado principalmente na reprodução de declarações e na disputa de versões. Ela defendeu que a imprensa ultrapasse o modelo de “quem disse o quê” e procure ouvir a população afetada pelas decisões políticas, além de utilizar fontes plurais e confiáveis.

Na avaliação da dirigente, a cobertura da crise no Poder Judiciário é necessária, inclusive porque desperta grande interesse do público. No entanto, ela defendeu que os veículos mantenham uma segunda agenda, dedicada aos desafios econômicos, sociais e geopolíticos do país. Entre os assuntos citados estão a interferência dos Estados Unidos, as mudanças climáticas, a exploração de terras raras e a atração de data centers.

Para Samira, a imprensa enfrenta o desafio de definir seu papel em um ambiente marcado por crises persistentes e pela concorrência com as redes sociais. Ela afirmou que parte dos veículos tem priorizado o engajamento momentâneo, sem aprofundar os temas, o que pode comprometer a função social do jornalismo e a formação da cidadania.

A presidenta da Fenaj também avaliou que as próprias campanhas eleitorais estão mais pobres em conteúdo. “Poucos parecem debater a sério os reais problemas do Brasil”, declarou. De acordo com ela, muitos perfis de candidatos privilegiam conteúdos de entretenimento, resumidos por vezes a “dancinhas”, em vez de apresentar propostas detalhadas para as áreas mais sensíveis do país.

O primeiro turno está marcado para 4 de outubro. Samira defendeu que, até lá, a cobertura eleitoral combine o acompanhamento das crises institucionais com a análise dos programas e das questões que afetam a sociedade no longo prazo.

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