O presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou como “um ato vergonhoso” a saída do senador Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos. A declaração foi dada nesta terça-feira (27), dois dias depois da eleição presidencial, vencida por Lula, que chamou o adversário nas urnas de alguém em débito com a Justiça.
“O cidadão que sai escondido do seu país é porque deve alguma coisa”, afirmou o presidente ao receber apoiadores que foram à frente do Palácio da Alvorada para comemorar seu aniversário de 81 anos. Lula cortou um bolo e discursou no local.
Segundo o presidente, Flávio Bolsonaro deveria ter entregue os passaportes à Polícia Federal (PF) após decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). “Esse ato de sair do Brasil é vergonhoso. Ele deveria ter entregue o passaporte. A Polícia Federal já devia suspeitar que ele sairia do Brasil, ele tem inquérito”, disse.
A possível saída de Flávio Bolsonaro do país foi divulgada inicialmente pelo investidor e ex-secretário de Turismo do México Simón Levy, que publicou nas redes sociais que o senador teria chegado aos Estados Unidos em uma articulação liderada pelo secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio. A informação também foi confirmada pela agência de notícias Reuters.
O senador não teria entregue os passaportes à PF após a determinação de Alexandre de Moraes. Flávio Bolsonaro e o advogado Willer Tomaz são investigados por suspeita de lavagem de dinheiro por meio de plataformas de apostas online, conhecidas como bets.
Flávio também é alvo de outro inquérito, que apura o financiamento do filme Dark Horse, sobre a trajetória de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. As investigações continuam no STF mesmo após a possível saída do senador para os Estados Unidos.
Durante o discurso, Lula comparou o episódio à sua prisão, em abril de 2018. O presidente afirmou que entregou o passaporte e se apresentou à Polícia Federal porque queria “desmascarar” seus acusadores e provar a própria inocência.
Lula permaneceu preso por 580 dias e foi libertado em 8 de novembro de 2019. Em 2021, o STF anulou os processos conduzidos pelo ex-juiz Sergio Moro e reconheceu a parcialidade dele no processo envolvendo o atual presidente. Moro é hoje governador eleito pelo PL, partido de Flávio Bolsonaro, de quem é aliado.





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