Trump questiona eleição brasileira, e Alckmin classifica declaração como equivocada

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Trump questiona eleição brasileira, e Alckmin classifica declaração como equivocada
Foto: Paulo Pinto / Agencia Brasil
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, questionou nesta segunda-feira (26) o processo eleitoral brasileiro e criticou a decisão de ampliar o horário de votação no segundo turno das eleições gerais. Em resposta, o vice-presidente reeleito, Geraldo Alckmin, classificou a declaração como “equivocada” e afirmou que não cabe a um país interferir na política de outro.

Durante uma conversa com jornalistas, Trump disse que a eleição brasileira “pareceu ruim” e considerou “muito estranho” o prolongamento do período de votação. O presidente norte-americano também afirmou que o pleito “pareceu fraudado”, mas não apresentou detalhes ou elementos para fundamentar a afirmação.

Questionado sobre a possibilidade de tomar alguma medida em relação às eleições brasileiras, Trump respondeu que governa os Estados Unidos, não o Brasil. Ele afirmou ainda que mantém uma boa relação com o presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva.

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“Eu não governo o Brasil, eu governo os Estados Unidos. Eu só pensei que a eleição foi… eu gosto do Lula, me dou muito bem com ele”, declarou Trump. Segundo o presidente norte-americano, ele não teria escolhido um lado na disputa presidencial e apenas acompanhado o processo eleitoral.

A ampliação do horário ocorreu no domingo (25), durante o segundo turno. Após registros de restrições na circulação do transporte coletivo em diversas cidades, o ministro do Supremo Tribunal Federal Cristiano Zanin decidiu estender a votação por duas horas, até as 19h, nas localidades em que as urnas ainda não haviam sido fechadas.

Lula foi reeleito com mais de 64 milhões de votos. O senador Flávio Bolsonaro, candidato derrotado no segundo turno, obteve 59,8 milhões de votos. As declarações de Trump ecoaram questionamentos feitos pela campanha de Flávio sobre a organização do pleito.

Em entrevista à TV Vanguarda, do interior de São Paulo, Alckmin afirmou que a opinião de Trump não teria referencial e defendeu o sistema eleitoral brasileiro. “Primeiro, não se interfere na política de outro país. Isso é uma regra basilar. Segundo, não tem nenhum referencial para dizer isso. O Brasil é um exemplo para o mundo, de urna eletrônica, segurança jurídica. Democracia você ganha eleição, você perde. É o povo que decide”, disse.

Na mesma entrevista, Alckmin comentou as negociações comerciais entre Brasil e Estados Unidos após a aplicação de tarifas norte-americanas que, segundo ele, inviabilizaram a entrada de alguns produtos brasileiros naquele mercado. O vice-presidente afirmou que o governo continuará buscando um acordo com os Estados Unidos e citou avanços comerciais com Singapura, a União Europeia e o Canadá.

Em 24 de setembro, 31 parlamentares democratas dos Estados Unidos enviaram uma carta à Casa Branca contra uma possível interferência de Trump na eleição brasileira. No documento, eles acusaram o governo norte-americano de adotar medidas para favorecer Flávio Bolsonaro, incluindo a imposição de tarifas sobre produtos brasileiros e a aplicação da Lei Magnitsky ao ministro do STF Alexandre de Moraes.

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