O déficit em transações correntes do Brasil somou US$ 5,1 bilhões em agosto de 2026, informou o Banco Central (BC) nesta segunda-feira (28). O resultado foi maior que o déficit de US$ 3,8 bilhões registrado no mesmo mês de 2025.
Segundo as estatísticas do setor externo, o aumento ocorreu apesar da melhora da balança comercial. A alta do déficit foi influenciada principalmente pela ampliação dos gastos líquidos com serviços e das remessas de lucros e dividendos ao exterior.
No acumulado de 12 meses encerrados em agosto, o déficit em transações correntes alcançou US$ 63 bilhões, equivalente a 2,47% do Produto Interno Bruto (PIB).
A balança comercial registrou superávit de US$ 6,6 bilhões em agosto, acima dos US$ 5,3 bilhões contabilizados no mesmo mês do ano passado. As exportações de bens somaram US$ 33,3 bilhões, alta de 12,1% na comparação anual. As importações chegaram a US$ 26,7 bilhões, crescimento de 9,4%.
Na conta de serviços, o déficit foi de US$ 5,3 bilhões, aumento de 28,2% em relação a agosto de 2025. As principais despesas líquidas foram registradas em transporte, com US$ 1,5 bilhão; telecomunicações, computação e informações, com US$ 1,3 bilhão; aluguel de equipamentos, com US$ 1,1 bilhão; e propriedade intelectual, com US$ 1 bilhão.
O déficit relacionado a viagens internacionais permaneceu em US$ 1 bilhão no mês.
A conta de renda primária, que reúne operações como lucros, dividendos e juros, registrou déficit de US$ 7 bilhões em agosto. Em igual período de 2025, o resultado negativo havia sido de US$ 5,4 bilhões. As despesas líquidas com lucros e dividendos alcançaram US$ 5,9 bilhões.
Os investimentos diretos no país (IDP) registraram ingresso líquido de US$ 7,4 bilhões em agosto. Em 12 meses, os aportes somaram US$ 86,6 bilhões, o equivalente a 3,39% do PIB.
Já os investimentos em carteira tiveram saída líquida de US$ 5,2 bilhões no mês. As retiradas líquidas em ações e fundos de investimento chegaram a US$ 6,5 bilhões, parcialmente compensadas pelo ingresso de US$ 1,3 bilhão em títulos domésticos.
As reservas internacionais somaram US$ 372,6 bilhões em agosto, aumento de US$ 2,9 bilhões em relação ao mês anterior. De acordo com o Banco Central, a alta ocorreu principalmente pela valorização de moedas ante o dólar e pelas receitas de juros das aplicações das reservas.
O BC também divulgou a revisão anual das estatísticas do setor externo. Para 2025, o déficit em transações correntes foi revisado de US$ 66,7 bilhões para US$ 67,4 bilhões. Em 2026, o déficit acumulado de janeiro a julho passou de US$ 36 bilhões para US$ 38,5 bilhões.






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