A menos de duas semanas do primeiro turno das Eleições de 2026, eleitores ainda definem seus votos para presidente, governador, senador, deputado federal, estadual ou distrital. Especialistas ouvidos pela Agência Brasil indicam seis critérios para comparar candidatos, identificar propostas compatíveis com as prioridades de cada pessoa e evitar falsas promessas.
O primeiro passo é refletir sobre os próprios interesses e os problemas que devem ser priorizados pelo poder público. Grupo social, situação econômica e visões de mundo influenciam a forma como cada eleitor avalia as propostas. Segundo o professor de Ciência Política João Feres Júnior, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), decisões políticas envolvem escolhas que podem beneficiar grupos diferentes.
Também é necessário conhecer as atribuições de cada cargo. O presidente exerce a direção da administração federal, nomeia ministros, comanda as Forças Armadas e participa da elaboração e sanção de leis. Governadores administram áreas como segurança pública, rede estadual de ensino, hospitais regionais e rodovias estaduais.
Deputados federais, estaduais e distritais elaboram e alteram leis, fiscalizam o Executivo e participam da definição do orçamento, inclusive por meio de emendas. Senadores representam os estados no Congresso, votam leis federais, participam de sabatinas e podem julgar autoridades. A compreensão dessas funções ajuda a identificar promessas incompatíveis com o cargo, como candidatos do Legislativo que afirmam que irão executar diretamente obras públicas.
O terceiro critério é analisar o histórico, o currículo, as propostas e os apoios recebidos. O eleitor pode verificar quem financia a campanha, quais partidos integram a aliança e que setores apoiam o candidato. Para quem já ocupa cargo público, o histórico de votações e atuações em projetos relevantes pode indicar coerência ou divergência em relação ao discurso eleitoral.
Propostas de governo, declaração de bens e prestação de contas, incluindo os doadores, estão disponíveis no sistema do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A análise desses dados, conforme os especialistas, pode ajudar a diferenciar medidas concretas de discursos genéricos.
O quarto ponto é observar o alinhamento partidário. Os partidos têm programas, posições políticas e bancadas que podem orientar votações no Legislativo. Por isso, além da trajetória individual, é importante conhecer como a legenda tem votado, quais pautas apoia, sua consistência ideológica e as alianças firmadas.
O quinto cuidado envolve os chamados puxadores de voto. No sistema proporcional, usado para eleger deputados e vereadores, os votos do partido ou da federação ajudam a definir o número de cadeiras conquistadas. Assim, uma celebridade ou candidato muito votado pode contribuir para a eleição de outros integrantes da mesma legenda. Consultar a nominata permite saber quem poderá ser beneficiado.
O primeiro turno será realizado em 4 de outubro, com cerca de 158,7 milhões de eleitores aptos, segundo as informações apresentadas na reportagem. No dia da votação, é permitido levar uma anotação com nomes e números dos candidatos. Celular, câmera e outros equipamentos não podem entrar na cabine e devem ser deixados com os mesários, para preservar o sigilo do voto.
A manifestação individual e silenciosa, com broches, adesivos, camisetas ou bandeiras, é permitida. Já manifestações coletivas, ruidosas, abordagens e tentativas de influenciar outros eleitores são proibidas. Pessoas com mais de 80 anos têm preferência, e eleitores com deficiência ou mobilidade reduzida podem ser acompanhados por alguém de sua escolha.





Deixe um comentário