Quem são os seis opositores de Maduro abrigados na embaixada da Argentina

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SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) – O governo de Nicolás Maduro revogou no sábado (7), de forma unilateral, a custódia do Brasil da embaixada argentina na Venezuela. O local abriga seis opositores asilados e continua cercado por agentes das forças de segurança do governo venezuelano. O cerco já dura mais de 30 horas.

 

O grupo está abrigado na embaixada desde o final de março. Na ocasião, a Venezuela emitiu uma ordem de prisão contra eles e os acusou de tentar desestabilizar o país.

Todos faziam parte da equipe de María Corina Machado, principal líder de oposição no país. Ela foi impedida de concorrer na eleição de julho.

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Os resultados oficiais das eleições de 28 de julho foram questionados por Estados Unidos, União Europeia e vários países da América Latina, inclusive o Brasil, que pediram uma verificação minuciosa dos votos. A proclamação de Maduro como vencedor pelo CNE (Conselho Nacional Eleitoral) foi ratificada pelo Tribunal Supremo de Justiça, ambos acusados de servir ao chavismo.

O CNE não divulgou as atas de votação, com a lei exige, alegando que foi alvo de um ataque de hackers. O anúncio dos resultados provocou protestos em todo país, com um balanço de 27 mortos, 192 feridos e 2.400 detidos.

QUEM SÃO OS OPOSITORES

– Magalli Meda foi chefe de campanha de María Corina Machado. Ela também é gerente de planejamento estratégico do partido Vente Venezuela. “Na Embaixada da Argentina na Venezuela, sob custódia do Brasil, estamos com a energia elétrica cortada e com os acesso à sede tomados”, escreveu ela na rede social X.
– Claudia Macero é jornalista responsável pela comunicação da campanha de María Corina Machado. Ela também é coordenadora de comunicação do Vente Venezuela.
– Pedro Urruchurtu é coordenador de relações internacionais do partido. Ele é cientista político, professor e vice-presidente da Rede Liberal da América Latina. Pedro atuou por cinco anos como coordenador de Educação Política do Vente Venezuela, treinando jovens líderes e membros do partido em oficinas sobre liberalismo, liderança, direitos humanos e democracia. Urruchurtu escreve para diversos meios de comunicação digitais e é apresentador de um programa de rádio na Rádio Caracas, uma das rádios mais populares da Venezuela.
– Omar González é ex-deputado e membro da direção nacional do Vente Venezuela. González também é jornalista e escritor. “Quando uma embaixada é sitiada, como é o caso da embaixada argentina em Caracas, ocorre uma grave violação do direito internacional, especificamente da Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas”, escreveu nas redes sociais.
– Humberto Villalobos é coordenador eleitoral do comando de campanha do Vendo Venezuela. Ele também é diretor da ONG especializada em fiscalização eleitoral ESDATA.
– Fernando Matínez Mottola é engenheiro elétrico, especialista em telecomunicações e assessor de María Corina Machado. Ele foi ministro dos Transportes e Comunicações durante a presidência de Carlos Andrés Pérez. Em 2019 foi um dos principais assessores de Juan Guaidó e participou como representante numa negociação entre o governo e a oposição na Noruega. É colunista do jornal El Nacional.

PAÍSES SE MANIFESTAM

O governo Maduro alega ter “provas” de que o local está sendo usado para planejamento de atos “terroristas” e de “tentativas” de assassinato contra ele e sua vice, Delcy Rodríguez. As provas, no entanto, não foram apresentadas.

O governo brasileiro indicou que continua representando os interesses da Argentina em Caracas. Segundo o colunista do UOL Jamil Chade, o posicionamento do Itamaraty é de que se a Venezuela quiser revogar a autorização, tem de esperar a definição de um país substituto. Até lá, o governo Lula (PT) diz que continua a assumir essa responsabilidade.

Já o governo argentino rejeitou neste sábado (7) a “decisão unilateral” da Venezuela. “Qualquer tentativa de interferir ou sequestrar os solicitantes de asilo que estão em nossa residência oficial será fortemente condenada pela comunidade internacional”, alertou.

O Ministério das Relações Exteriores do Paraguai diz lamentar decisão do governo Maduro. Em nota divulgada nas redes sociais, a pasta classificou como “decisão unilateral” a revogação da custódia do Brasil na embaixada argentina e disse que a ação “viola os princípios consagrados na Convenção de Viena”. O ministério ainda instou o país a respeitar as normas internacionais e reforçou que reconhece o Brasil como responsável pela custódia da residência argentina.

Os EUA manifestam apoio “inabalável” aos governos do Brasil e da Argentina. “Expressamos nosso firme apoio diante das ameaças dos agentes de Maduro na Venezuela”, escreveu o embaixador americano Brian A. Nichols nas redes sociais. “O Maduro precisa parar com sua repressão e intimidação ao povo venezuelano.”

O Uruguai também se manifesta. Em nota, o Ministério das Relações Exteriores expressou preocupação com a decisão do governo Maduro de revogar a custódia brasileira e prestou solidariedade à Argentina e ao Brasil por esse “momento difícil”.

O presidente do Panamá, José Raúl Mulino, e o Ministério das Relações Exteriores do país condenaram a decisão de Maduro. Para o país, o ato demonstra o “contínuo desprezo às normas internacionais que garantem a inviolabilidade das missões diplomáticas e proteção dos asilos”.

A Chancelaria da Costa Rica também emitiu comunicado. A pasta falou em “novo ato de perseguição política contra cidadãos venezuelanos legalmente abrigados na embaixada argentina”.

COMEÇO DA CRISE

Logo depois da eleição de 28 de julho, o governo Maduro expulsou os diplomatas argentinos de Caracas. O gesto ocorreu por conta da reação do governo de Javier Milei de não reconhecer a suposta vitória de Maduro e insistir que o pleito havia sido alvo de fraude. Mas dentro da embaixada estavam seis membros da oposição venezuelana, foragidos da justiça venezuelana.

Na prática, a expulsão dos diplomatas significava que o governo Maduro poderia romper a inviolabilidade da embaixada e capturar os opositores. Para evitar uma crise ainda mais grave, o governo brasileiro fechou um acordo no qual passou a assumir os interesses da Argentina em Caracas, inclusive da estrutura da embaixada. O Brasil fez o mesmo com a embaixada do Peru, depois da expulsão dos diplomatas daquele país, pelos mesmos motivos.

Ficou estabelecido que, a partir daquele momento, aquela era também uma área brasileira e que continuava fora do alcance das forças de ordem de Maduro. Até mesmo uma bandeira brasileira chegou a ser colocada no local por alguns dias. Mas a pressão de Maduro contra a oposição levou a uma ação, uma vez mais, contra a embaixada.

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