O advogado criminalista paraibano, Sheyner Asfora, anunciou nesta terça-feira (21) a saída da banca de defesa do Padre Egídio de Carvalho Neto, acusado de desvios milionários na administração do Hospital Padre Zé.
Em nota divulgada, o jurista afirmou que a saída se dá por “incompatibilidade de estilo com relação a atuação adotada pelos colegas advogados que continuarão”.
Siga nossos perfis no Instagram @blogandersonsouza e @blogdoandersonsouza
COMUNICADO À IMPRENSA
Informo à imprensa que não mais patrocino a defesa do padre Egídio de Carvalho Neto, uma vez que renunciei os poderes que me foram outorgados por razões de incompatibilidade de estilo com relação a atuação adotada pelos colegas advogados que continuarão no patrocínio dos interesses do até então constituinte.
Assim, por questão de justiça e reconhecimento, registro, nesta oportunidade, o meu agradecimento ao padre Egídio pela confiança depositada em meu trabalho profissional que exerci com ética, boa técnica, zelo e dedicação, atributos esses que tenho honra e orgulho de serem os condutores da minha trajetória de mais de 20 anos de exercício da advocacia criminal.
Esclareço, ainda, que exerci o meu dever de comunicação desta minha decisão pessoalmente ao padre Egídio de Carvalho Neto e, por conseguinte, protocolei a petição de renúncia nos autos do processo que tramita perante o Poder Judiciário paraibano.
Dessa forma, em estrita observância ao Código de Ética e Disciplina da OAB, declaro que não mais irei me pronunciar sobre o presente caso objeto deste comunicado de renúncia.
João Pessoa/PB, 21 de novembro de 2023
SHEYNER ASFÓRA
OAB/PB 11.590
Crise no Hospital Padre Zé
Padre Egídio de Carvalho foi alvo de uma operação em outubro após vir à tona o escândalo envolvendo o padre. A investigação que embasou a Operação Indignus mostra que o Padre Egídio Carvalho, ex-diretor do Hospital Padre Zé, em João Pessoa, é o verdadeiro proprietário de imóveis de luxo. A suspeita é que Carvalho seja dono de 29 imóveis, alguns considerados de elevadíssimo alto padrão.
As primeiras provas apontam possíveis desvios de recursos públicos destinados a fins específicos, por meio da falsificação de documentos e pagamento de propinas a funcionários vinculados às referidas entidades.
As condutas indicam prática, em princípio, dos delitos de organização criminosa, lavagem de capitais, peculato e falsificação de documentos públicos e privados.
Empréstimo de R$ 13 milhões também é investigado
A Força-Tarefa que apura as suspeitas de desvios no Hospital Padre Zé, em João Pessoa, deve investigar onde foram investidos os mais de R$ 13 milhões solicitados por meio de empréstimos em nome da instituição durante a gestão do Padre Egídio Carvalho junto ao Banco Santander e a Caixa Econômica.
A informação foi repassada pelo novo diretor do hospital, Padre George Batista, durante coletiva de imprensa realizada ao lado do arcebispo Metropolitano da Paraíba, Dom Manoel Delson, no dia 10 de outubro.
“Existem dois empréstimos na Caixa e no Santander feitos entre o ano passado e esse ano. No Santander, é de R$ 600 mil e na Caixa aproximadamente R$ 12,4 milhões. O empréstimo foi feito na antiga gestão [Padre Egídio]. Somando tudo dá cerca de R$ 13 milhões. Para onde foi esse dinheiro? A Força-Tarefa está investigando e no período certo vai revelar”, disse George.
Por conta do crédito, a unidade de saúde perde mensalmente cerca de R$ 250 mil que são transferidos através do recursos oriundos do Sistema Único de Saúde (SUS). Atualmente, a unidade precisa de cerca de R$ 1,3 milhão para se manter, sendo cerca de R$ 1 milhão de verbas enviadas pelo SUS e o restante através de doações.



