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Estudo alerta para casos de melanoma em olhos, mucosas e órgãos internos

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Estudo alerta para casos de melanoma em olhos, mucosas e órgãos internos
Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil
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Um estudo da Fundação do Câncer alerta para a ocorrência de melanomas fora da pele, que podem atingir estruturas como os olhos, mucosas da cavidade oral e órgãos dos sistemas genital e digestório. A 12ª edição do boletim Análises e Tendências em Câncer, lançada neste mês, analisou dados de registros hospitalares e destaca a importância do diagnóstico precoce para reduzir os impactos da doença.

O melanoma se origina nos melanócitos, células responsáveis pela produção de melanina. Embora os casos extracutâneos sejam menos frequentes, eles podem apresentar maior agressividade e risco de disseminação para tecidos e órgãos próximos. O estudo foi elaborado com dados da plataforma info.oncollect, que reúne informações de registros hospitalares de oncologia no Brasil.

Dos 42.255 casos avaliados, 92,2% eram melanomas cutâneos, 5,7% oculares e 2,5% de mucosa. Entre 1990 e 2021, foram registrados 1.324 novos casos de melanoma extracutâneo no país. O olho foi a principal localização primária, com 75% das ocorrências, seguido pelos órgãos genitais, com 12,8%, e pelo sistema digestório, com 8,2%.

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Entre os 993 casos de melanoma ocular analisados, 447 ocorreram em homens e 546 em mulheres. Segundo a Fundação do Câncer, esse tipo de tumor pode permanecer sem sintomas nas fases iniciais e ser identificado apenas durante exames de rotina. Quando aparecem, os sinais podem incluir visão embaçada, flashes luminosos, manchas no campo visual e perda visual.

O levantamento também avaliou o tratamento do melanoma de pele no Sistema Único de Saúde (SUS). Entre 2014 e 2023, a cirurgia foi o principal tratamento inicial, representando 84,7% dos procedimentos registrados. O Sudeste apresentou o maior percentual de cirurgias como primeira abordagem, com 89,6% dos casos. O Norte teve o menor índice, com 64,4%.

Na avaliação sobre deslocamento para tratamento, a maior parte dos pacientes foi atendida na própria região de residência. A exceção foi o Centro-Oeste, onde 20,2% precisaram se deslocar, segundo o estudo. Para a Fundação do Câncer, o dado indica um gargalo no acesso à assistência especializada.

O Instituto Nacional de Câncer (Inca) informa que a quimioterapia é utilizada no tratamento dos melanomas. Medicamentos da classe anti-PD-1, como nivolumabe e pembrolizumabe, foram aprovados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em 2016. Em 2020, a Conitec aprovou a primeira imunoterapia para melanoma metastático no SUS. O tebentafuspe também foi citado como opção específica para melanoma ocular metastático ou inoperável.

Especialistas ouvidos no estudo apontam que o custo elevado dos medicamentos ainda limita o acesso à imunoterapia no SUS. Também destacam que as evidências para o uso desses tratamentos em melanomas extracutâneos são escassas.

Entre 1990 e 2021, o Brasil registrou 30.614 casos novos de melanoma de pele. Para 2026, o Inca estima 9.360 novos casos, equivalentes a 19,2 ocorrências por 1 milhão de habitantes. Em 2023, foram registradas 2.047 mortes por melanoma de pele no país.

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