Levantamento aponta 37 conteúdos de IA sem identificação em contas de candidatos

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Levantamento aponta 37 conteúdos de IA sem identificação em contas de candidatos
Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil
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Um levantamento do Observatório Lupa identificou pelo menos 37 conteúdos gerados com inteligência artificial (IA) publicados em contas oficiais de candidatos e partidos sem qualquer indicação de manipulação digital. A análise considerou publicações coletadas entre 16 e 26 de agosto em redes sociais e aplicativos de mensagem.

Ao todo, foram examinados 314 conteúdos suspeitos. O uso de inteligência artificial foi constatado em 282 deles. Segundo o levantamento, a maior parte era formada por deepfakes, peças artificiais produzidas para simular a aparência, a voz ou a identidade de pessoas reais.

Os 37 conteúdos sem identificação foram publicados por contas oficiais, e não por perfis anônimos. De acordo com Cristina Tardáguila, gerente de inovação e formação e fundadora da Agência Lupa, candidatos e partidos têm a obrigação de informar aos eleitores quando utilizam ferramentas de inteligência artificial.

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“O que chama atenção nesses 37 casos é que não são conteúdos publicados por contas anônimas. São publicações feitas pelas contas oficiais de candidatos e partidos, que têm a obrigação de informar ao eleitor quando utilizam inteligência artificial”, afirmou Tardáguila, conforme o levantamento.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, foi a pessoa mais citada nos conteúdos falsos gerados por IA, com 115 registros. Flávio Bolsonaro (PL) apareceu em 56 conteúdos e ficou na segunda posição entre as principais vítimas identificadas pela análise.

O Facebook concentrou o maior número de registros de conteúdos enganosos, com 202 ocorrências. Na sequência apareceu o Instagram, com 62 registros.

Em março, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aprovou restrições ao uso de inteligência artificial nas eleições. As regras abrangem modificações com imagem e voz de candidatos ou de pessoas públicas.

A Justiça Eleitoral também reafirmou que provedores de internet podem ser responsabilizados caso não removam perfis falsos e publicações ilegais feitas por seus usuários. Entre as medidas relacionadas ao tema, o TSE e o Google lançaram uma ferramenta voltada à proteção de candidatos contra deepfakes.

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