Organizações da sociedade civil lançaram a campanha #VotePeloCerrado, que convoca candidatos às eleições de 2026 a assumirem compromissos com a proteção do Cerrado e dos povos que vivem no bioma. Uma carta-compromisso está disponível para assinatura no site votepelocerrado.org.br.
A mobilização foi destacada nesta sexta-feira (11), Dia Nacional do Cerrado. Segundo as entidades envolvidas, o bioma abriga nascentes que alimentam oito das 12 principais bacias hidrográficas do país. Ao mesmo tempo, mais de 50% da vegetação nativa foi destruída, enquanto os rios enfrentam redução média de 27% na vazão.
O documento apresenta as demandas que devem orientar os compromissos públicos de candidatos a cargos no Executivo e no Legislativo. A coordenadora do Programa Cerrado no Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN), Isabel Figueiredo, defendeu a adoção de projetos de longo prazo para a proteção da região.
“Precisamos eleger parlamentares que compreendam a importância do Cerrado e não tenham uma visão imediatista que pode comprometer o nosso futuro”, afirmou Isabel.
A secretária executiva da Rede Cerrado, Ingrid Silveira, destacou a necessidade de políticas voltadas à agricultura familiar, à agroecologia e à sociobiodiversidade. Segundo ela, essas ações devem garantir território, crédito e acesso a mercados para as pessoas que contribuem para a conservação do bioma.
Entre as oito propostas da campanha estão o reconhecimento do Cerrado como patrimônio nacional; a proteção das águas como direito fundamental; a garantia de terra, território e autodeterminação dos povos; e o combate à grilagem e à violência no campo.
O documento também defende medidas para enfrentar os impactos de grandes empreendimentos, com garantia de consulta livre, prévia e informada; o fortalecimento da agroecologia e da agricultura familiar; a valorização da sociobiodiversidade e da soberania alimentar; além de políticas de saúde, educação, participação popular e condições dignas de vida.
A Rede Cerrado reúne mais de 500 organizações por meio de entidades associadas. Já a Campanha Nacional em Defesa do Cerrado articula mais de 60 organizações. A mobilização reúne povos indígenas, quilombolas, povos e comunidades tradicionais, agricultores e agricultoras familiares, movimentos socioambientais e entidades de conservação da natureza.
Durante o lançamento online, o presidente do Conselho Nacional de Povos e Comunidades Tradicionais (CNPCT), Samuel Leite Caetano, defendeu a escolha de representantes comprometidos com as pautas ambientais e os direitos dos povos tradicionais.
Representante do povo geraizeiro, comunidade tradicional que vive no norte de Minas Gerais, Caetano afirmou que a regularização fundiária, a demarcação e a gestão dos territórios devem ser consideradas pelos eleitores. Ele também mencionou pressões para a revisão de unidades de conservação no país.
Para Suely Araújo, coordenadora de Políticas Públicas do Observatório do Clima, o cenário de mudanças em legislações ambientais exige atenção na escolha dos candidatos. Ela defendeu o voto em políticos comprometidos com a proteção dos biomas e com o enfrentamento da crise climática.





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