Trabalhadores que cumprem a escala 6×1 no Rio de Janeiro receberam com expectativa a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 pelo Senado Federal. A medida, aprovada na quarta-feira (14), prevê a adoção gradual da escala 5×2 e a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas.
Adrielle Barbosa de Aquino, de 27 anos, é mãe de duas crianças e trabalha como garçonete de segunda-feira a sábado em um restaurante no centro da cidade do Rio de Janeiro. Ela afirma que, desde o primeiro emprego, há quase dez anos, não tem dois dias de folga na mesma semana.
“Nessa escala 6×1, eu só tenho o domingo de folga. É o dia que eu tenho para resolver minhas coisas. Um dia para resolver mil coisas e a gente fica perdida. Ainda mais quando a gente é mãe. É pesado!”, relatou.
Segundo Adrielle, compromissos que não podem ser resolvidos aos domingos, como consultas médicas dos filhos, muitas vezes exigem uma falta ao trabalho e resultam em desconto no salário.
A auxiliar administrativa Yasmin Nascimento também trabalha em uma clínica na escala 6×1. Ela disse esperar que um segundo dia de folga permita aos trabalhadores passar mais tempo com a família, estudar ou exercer outras atividades. “A folga é da pessoa, ela sabe o que vai fazer na folga dela, mas fiquei muito feliz porque essa PEC foi aprovada”, afirmou.
A ajudante de cozinha Cristiane Wandermuren, de 56 anos, trabalha desde a adolescência com apenas um dia de descanso semanal. Para ela, uma folga adicional seria uma oportunidade de cuidar da saúde e conviver mais com os netos. “Só temos o domingo. Como eu vou no domingo ao médico? Médico a gente normalmente vai no meio da semana”, disse.
Simone Cunha de Oliveira trabalhou por 15 anos na escala 6×1 e atualmente tem dois dias de folga por semana, por atuar em uma escola. Ela considera que a mudança melhorou sua qualidade de vida e espera que a irmã, que trabalha como vendedora de automóveis, também possa deixar a escala 6×1.
Uma pesquisa realizada em fevereiro deste ano pela Nexus aponta que 73% dos brasileiros apoiam o fim da escala 6×1. Entre os entrevistados pela Agência Brasil, também houve preocupação com possíveis efeitos da mudança. A aposentada Luciana Machado, de 65 anos, afirmou ter receio de aumento da carga horária diária ou de redução dos rendimentos.
De acordo com o texto aprovado, a escala 5×2 e a redução da jornada para 42 horas semanais deverão começar 60 dias após a promulgação da emenda constitucional. Se a promulgação ocorrer ainda em outubro, as regras passariam a valer em dezembro de 2026. Após 12 meses, a jornada deverá ser reduzida para 40 horas semanais, mantendo cinco dias de trabalho e dois de descanso.
Durante a transição, as duas horas que excederem a jornada diária de oito horas deverão ser distribuídas ao longo dos cinco dias. Se forem divididas igualmente, o trabalhador cumprirá 8 horas e 24 minutos por dia. Ao final do processo, horas além do limite diário ou semanal dependerão do pagamento de hora extra.




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