O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu nesta quarta-feira (16) a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, de 14% para 13,75% ao ano. A decisão foi unânime e representou o quinto corte consecutivo dos juros básicos da economia.
A redução era esperada pelo mercado financeiro. Entre junho de 2025 e março de 2026, a Selic permaneceu em 15% ao ano, o maior nível em quase 20 anos. O ciclo de cortes foi retomado em abril, em um cenário de desaceleração da inflação.
Na avaliação do Banco Central, a política monetária enfrenta novos fatores de pressão. O agravamento das tensões relacionadas à guerra no Oriente Médio e o início do fenômeno climático El Niño podem afetar os preços, especialmente os alimentos, e dificultar o controle da inflação.
O Copom também está desfalcado. Os mandatos de Renato Gomes, diretor de Organização do Sistema Financeiro, e Diego Guillen, diretor de Política Econômica, terminaram no fim de 2025. Até agora, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não encaminhou ao Congresso Nacional as indicações para substituir os dois diretores.
A Selic é o principal instrumento do Banco Central para controlar a inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Em agosto, o indicador registrou deflação de 0,32%, o menor resultado em quatro anos, influenciado pelo bônus de Itaipu nas contas de energia elétrica. Em 12 meses, o IPCA acumulou alta de 4,22%, abaixo dos 4,44% registrados em julho.
Os alimentos também contribuíram para o resultado de agosto, com queda de 0,34% no mês. A expectativa, porém, é que o El Niño provoque aumento nos preços de produtos alimentícios nos próximos meses.
Desde janeiro de 2025, o país adota o sistema de meta contínua de inflação. A meta definida pelo Conselho Monetário Nacional é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Assim, o limite inferior é de 1,5% e o superior, de 4,5%. A verificação passou a considerar a inflação acumulada em 12 meses, com apuração mês a mês.
No último Relatório de Política Monetária, divulgado no fim de junho, o Banco Central elevou de 3,9% para 5,2% a previsão para o IPCA de 2026. Uma nova estimativa será apresentada no fim deste mês. Pelo boletim Focus, as instituições financeiras projetam inflação de 4,9% neste ano, acima do teto da meta. Antes do início da guerra no Oriente Médio, a previsão era de 3,95%.
A queda da Selic tende a baratear o crédito e estimular o consumo e a produção, mas reduz o ritmo de combate à inflação. Para 2026, o Banco Central prevê crescimento de 2% da economia, enquanto o mercado financeiro estima expansão de 1,89% do Produto Interno Bruto (PIB), abaixo dos 1,98% projetados quatro semanas antes.





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