Os candidatos à Presidência da República Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) apresentam prioridades diferentes para a educação nos planos de governo do segundo turno, marcado para 25 de outubro. Enquanto Lula trata a área como instrumento de mobilidade social e prevê ampliar a educação em tempo integral, Flávio defende a expansão das escolas cívico-militares e uma maior aproximação entre ensino, famílias e mercado de trabalho.
Para a educação infantil, Flávio propõe ampliar a oferta de creches em período integral, com alimentação e atividades voltadas ao desenvolvimento das crianças. Quando não houver vaga na rede pública, o plano prevê um voucher-creche para financiar a matrícula em instituições privadas credenciadas. O documento, segundo a análise das propostas, não detalha a origem dos recursos para custear o benefício.
Lula planeja dar continuidade à construção de 3.562 creches e pré-escolas em 2.360 municípios por meio do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC). A proposta também inclui a retomada de obras paralisadas de creches, escolas e quadras esportivas. Na alfabetização, Flávio prioriza o método fônico, enquanto Lula estabelece a meta de alfabetizar 80% das crianças na idade certa até 2030.
Na educação básica, Flávio prevê condicionar repasses de recursos a estados e municípios ao cumprimento de metas de aprendizagem. Também propõe o Programa Acolher, pelo qual estudantes com bom desempenho receberiam remuneração para reforçar a aprendizagem de colegas com dificuldades. Lula quer criar uma estratégia permanente de recomposição e aceleração da aprendizagem, especialmente nos anos finais do ensino fundamental e no ensino médio.
As escolas cívico-militares são uma das principais propostas de Flávio, que também defende uma educação orientada por valores definidos pelas famílias e sem “doutrinação político-partidária ou militância”, conforme o plano. O candidato prevê ainda atendimento a alunos com altas habilidades. Lula, por sua vez, propõe medidas de formação e valorização docente, incluindo o Pé-de-Meia Licenciatura e o reforço do programa Bolsa Mais Professores.
Os dois candidatos apoiam a ampliação do ensino em tempo integral. Lula quer levar a jornada ampliada a todas as etapas e modalidades da educação básica. O objetivo é superar a marca de 25,8% das matrículas em tempo integral, alcançada com 1,8 milhão de matrículas entre 2023 e 2025. Flávio prevê escolas abertas durante as férias, com atividades esportivas, artísticas, musicais e literárias, além de vouchers educacionais onde não houver vagas públicas.
No ensino médio e técnico, Lula propõe aprimorar o Pé-de-Meia, que alcançou 7,3 milhões de estudantes desde 2024, e ampliar a rede de Institutos Federais. O plano prevê 111 novos institutos, com campi em 106 municípios. Flávio defende parcerias com indústrias e empresas para qualificação profissional e bolsas financiadas pelo setor produtivo.
Para o ensino superior, Flávio propõe transferir a governança da área do Ministério da Educação para o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, além de criar um financiamento com pagamento condicionado à renda após a entrada do estudante no mercado de trabalho. Lula prevê investimentos em universidades, hospitais universitários, novas instituições e expansão da conectividade das escolas, atualmente em 75% delas nos parâmetros considerados adequados.




Deixe um comentário