A preocupação com o futuro das instituições democráticas e da educação pública levou estudantes a retomarem manifestações em várias cidades do país às vésperas do segundo turno das eleições presidenciais. Em entrevista à Agência Brasil, a presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Bianca Borges, afirmou que universitários e secundaristas voltaram às ruas para defender a democracia, a educação e suas posições diante dos candidatos.
Segundo Bianca, a entidade considera que a disputa eleitoral envolve o futuro do país e vê a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) como uma ameaça autoritária e de retrocesso em direitos sociais. A UNE declarou apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
“Os estudantes se levantam pelos direitos, pela educação, pela soberania e pela democracia brasileira diante dessa ameaça”, disse a dirigente. Ela citou a participação histórica do movimento estudantil na campanha O Petróleo É Nosso, na resistência à ditadura militar, nas mobilizações pelas Diretas Já, no processo que levou ao impeachment de Fernando Collor e em protestos contra os governos de Michel Temer e Jair Bolsonaro.
Entre os atos recentes mencionados na entrevista está a manifestação realizada em 7 de outubro, no Rio de Janeiro, entre a Candelária e a Cinelândia. De acordo com Bianca, participantes relacionaram o tamanho do protesto à Passeata dos 100 Mil, ocorrida em 1968, durante a ditadura militar. Ela também citou a presença de estudantes do Colégio Pedro II e de grêmios estudantis na convocação da mobilização.
A presidente da UNE afirmou ainda que o movimento começou a ganhar força após uma assembleia na Universidade Federal Fluminense (UFF), em Niterói, realizada depois do primeiro turno. Conforme o relato, mais de mil estudantes participaram do encontro, que precisou ser transferido para a rua. Em Brasília, a entidade promoveu um ato em 13 de outubro, com participação majoritária de estudantes e adesão de outros setores da sociedade.
As reivindicações incluem mais recursos para as universidades públicas, ampliação da assistência estudantil e medidas para garantir a permanência de alunos de baixa renda. Bianca defendeu a consolidação do Plano Nacional de Assistência Estudantil com orçamento robusto, investimentos nas instituições federais e estaduais e a destinação de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) para a educação pública.
Bianca também criticou propostas atribuídas à candidatura de Flávio Bolsonaro, entre elas a transferência da gestão das universidades federais do Ministério da Educação para o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. Na avaliação da dirigente, a mudança poderia aproximar as instituições exclusivamente dos interesses do mercado. As declarações refletem a posição da UNE, que apoia Lula na eleição.
A dirigente relacionou a defesa da democracia à valorização da universidade pública e afirmou que a mobilização estudantil deve continuar depois do período eleitoral. Para ela, a participação coletiva é necessária para transformar reivindicações em direitos.
Bianca Borges tem 25 anos, é estudante de letras do Instituto Federal de São Paulo (IFSP) e assumiu a presidência da UNE para o mandato de 2025 a 2027. Ela começou no movimento estudantil aos 14 anos, em uma escola técnica de Praia Grande, e também foi coordenadora-geral do Diretório Central dos Estudantes da Universidade de São Paulo (USP) e presidente da União Estadual dos Estudantes de São Paulo (UEE-SP).




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