A um mês do primeiro dia de provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2026, estudantes e professores passaram a priorizar a revisão de conteúdos, a resolução de questões de edições anteriores e a realização de simulados. A estratégia substitui, nesta reta final, o estudo concentrado em assuntos inéditos.
Rafaela de Araújo Caldas, de 17 anos, está no 3º ano do Centro de Ensino Médio 1 do Gama, no Distrito Federal. Ela fará o Enem pela primeira vez e busca uma vaga em um curso superior na área de computação. Com apoio dos pais, concilia as aulas regulares com um cursinho preparatório on-line, mas afirma que também respeita os limites físicos e o cansaço.
“Dou foco em ver como funciona a prova, vendo os padrões das questões e o que vai ser mais importante estudar, agora, nessa reta final”, disse a estudante. A redação também está entre as prioridades. Rafaela afirma que já conhece repertórios indicados pelo cursinho, mas ainda trabalha para entender como aplicá-los de acordo com o tema proposto.
A redação do Enem exige um texto dissertativo-argumentativo, de até 30 linhas, escrito em modalidade formal da língua portuguesa. O candidato deve defender um ponto de vista sobre um tema de ordem social, científica, cultural ou política. O Ministério da Educação disponibiliza uma cartilha com orientações sobre a prova e os critérios de correção.
Professor de língua portuguesa e espanhola da escola, Diogo Andrade avalia que ainda é possível se preparar nos 30 dias restantes. Segundo ele, os estudantes devem concentrar esforços em simulados, questões de provas passadas e conteúdos com maior recorrência histórica, identificados a partir das dificuldades apresentadas.
A escola realiza provas multidisciplinares bimestrais que reproduzem aspectos da logística do exame. Os alunos são distribuídos em salas diferentes das habituais, preenchem o cartão-resposta com caneta preta e têm as redações corrigidas e comentadas conforme os critérios do Enem. A unidade também produz podcasts educativos sobre temas como filosofia, redação, questão racial e latinidade.
Para Diogo, os estudantes devem evitar fórmulas prontas encontradas na internet para a redação. Ele afirma que os corretores conseguem identificar quando o candidato apenas reproduz um modelo sem demonstrar domínio do tema. Nas questões objetivas, o professor recomenda que os alunos não deixem respostas em branco, mas também não baseiem a estratégia em chutes.
O docente lembra que o Enem utiliza a Teoria de Resposta ao Item (TRI), metodologia que considera o grau de dificuldade das questões e a coerência do conjunto de respostas. A escola ainda prevê a realização de aulões de revisão entre o fim de outubro e o início de novembro.
O estudante Gabriel Queiroz, de 18 anos, participou do Enem do ano passado como treineiro. A experiência, segundo ele, ajudou a entender a logística e a administrar o tempo de prova. Em 2026, o objetivo é conquistar uma vaga no curso de licenciatura em língua portuguesa.
Gabriel considera matemática sua maior dificuldade e estuda entre oito e nove horas por dia, com videoaulas e questões de provas anteriores. Ele também pretende intensificar os estudos nos fins de semana, sem descuidar do controle emocional. Os inscritos podem consultar orientações, tutoriais e cronogramas oficiais no Guia do Enem, site lançado pelo Ministério da Educação.






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