A Organização dos Estados Americanos (OEA) classificou a eleição brasileira como uma jornada cívica e pacífica, mas demonstrou preocupação com o ambiente de desinformação e forte polarização política. As avaliações constam em um relatório preliminar divulgado nesta quarta-feira (7), após a atuação de 91 observadores independentes no país.
No documento, a organização elogiou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e os Tribunais Regionais Eleitorais (TREs) pela capacidade técnica, logística e organizacional demonstrada durante o processo eleitoral. A OEA também afirmou que o pleito apresentou lisura, embora tenha registrado fatores que, segundo a entidade, podem afetar a confiança da população no sistema eletrônico de votação.
Entre os pontos mencionados está o que o relatório descreve como um clima de tensão e forte polarização política. A organização também citou a judicialização do processo, confrontos pessoais e a circulação de narrativas de desinformação com o objetivo de gerar desconfiança em relação à integridade das urnas eletrônicas.
A missão internacional destacou ainda a participação de pesquisadores, acadêmicos e especialistas nos testes realizados com as urnas. Outro aspecto positivo apontado foi o aumento do registro de dados biométricos, que chegou a 89% desde as eleições de 2024.
O relatório também registrou a ampliação dos serviços eletrônicos oferecidos pela Justiça Eleitoral. Entre eles estão a plataforma Autoatendimento e o aplicativo móvel e-Título, usados para facilitar o acesso dos eleitores a serviços relacionados ao processo eleitoral.
Como ponto de atenção, a OEA mencionou a ausência de um debate eleitoral entre os candidatos aos cargos de presidente e vice-presidente da República. Ao mesmo tempo, reconheceu a realização de diversos debates entre candidatos aos governos estaduais.
Outro tema destacado foi a falta de critérios jurídicos harmonizados na Justiça Eleitoral para tratar do uso de imagens reais ou produzidas por inteligência artificial de pessoas proibidas de participar da política. De acordo com o relatório, a ausência de parâmetros uniformes alcança tanto a propaganda digital quanto os materiais físicos.
As observações divulgadas fazem parte de uma avaliação preliminar da missão da OEA sobre o processo eleitoral brasileiro. O documento reúne os aspectos considerados positivos e os temas que, na avaliação da organização, exigem atenção das instituições eleitorais.





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