O crescimento da participação de partidos mais conservadores no Congresso Nacional e nos governos estaduais deve influenciar a agenda política brasileira nos próximos anos, com maior atenção a temas como segurança pública, custo de vida, valores e família. A avaliação é do economista e professor de ciência política da Universidade de Brasília (UnB) Jeferson Ramos dos Santos.
Segundo o professor, essas pautas estiveram entre as prioridades das campanhas regionais e se consolidaram nas regiões que elegeram senadores, deputados estaduais, deputados federais e governadores. Para Santos, o resultado representa uma resposta do eleitorado a questões do cotidiano.
“Os temas foram bastante relevantes. É um recado muito claro do eleitorado, mas as temáticas não foram abordadas de forma adequada pelo governo federal”, afirmou o especialista em entrevista ao jornalismo da Rádio Nacional.
Na avaliação do professor, a crise recente envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF) teve impacto menor sobre a decisão dos eleitores. Embora o assunto tenha ganhado espaço no noticiário e afetado a imagem da Corte, Santos observou que o Supremo não participou diretamente da disputa eleitoral.
O tema, no entanto, deve continuar presente no Senado Federal durante a próxima legislatura, diante da nova configuração política. Entre as discussões citadas pelo professor estão possíveis mudanças no desenho institucional do STF, na extensão do poder individual dos ministros e, eventualmente, a limitação do mandato dos integrantes da Suprema Corte.
Outra pauta que pode ter o andamento afetado é a proposta de fim da escala de trabalho 6×1. A votação está prevista para esta semana, conforme informado pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). Para Jeferson Ramos dos Santos, a mudança expressiva na composição da Câmara e do Senado pode provocar um período de espera até que blocos e lideranças parlamentares definam suas posições.
“Não acho incomum se o fim da 6×1 tomasse um pouquinho mais de tempo para ir a plenário”, declarou. De acordo com o professor, o novo cenário pode alterar tanto o ritmo de tramitação quanto o perfil das propostas analisadas pelo Legislativo.
Na disputa presidencial, os resultados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) apontaram Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT-SP) no segundo turno. A diferença no primeiro turno foi de cerca de 2,22 milhões de votos, ou 1,87 ponto percentual, favorável a Flávio Bolsonaro.
O segundo turno está marcado para 25 de outubro. Santos considera a disputa aberta e competitiva, citando também o número recorde de abstenções. O horário eleitoral gratuito será retomado em 9 de outubro, e a propaganda poderá ser veiculada até 23 de outubro.
Para o professor, o resultado presidencial poderá influenciar a agenda da Câmara e do Senado a partir de 1º de fevereiro de 2027. Uma eventual maioria mais conservadora, segundo ele, pode reduzir o espaço de temas trabalhistas e ampliar a prioridade para pautas de valores e segurança pública.





Deixe um comentário