A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e os sindicatos filiados divulgaram nota nesta terça-feira (20) para manifestar indignação com a condução e o formato do debate eleitoral promovido pela TV Bandeirantes na noite de domingo (18). Para a entidade, o encontro deixou de cumprir a função de apresentar propostas, confrontar ideias e esclarecer os eleitores.
Segundo a Fenaj, o debate foi marcado por provocações, bordões e ataques. A entidade afirmou que esse modelo prejudica a informação e o interesse público ao priorizar a lógica do espetáculo e da audiência.
“O jornalismo não pode ser refém da lógica do espetáculo, da audiência a qualquer preço ou das estratégias de candidatos que desprezam o diálogo democrático”, declarou a federação. Na avaliação apresentada na nota, quando perguntas não são respondidas, afirmações falsas não são confrontadas e os argumentos são substituídos por encenações, a população é prejudicada.
A entidade também criticou a responsabilidade editorial da emissora, a fragilidade das regras e a ausência de mecanismos para assegurar a finalidade jornalística do debate. A Fenaj reconheceu a trajetória dos profissionais responsáveis pela mediação, mas afirmou que não basta conceder tempo igual aos candidatos.
Para a federação, as emissoras precisam garantir informações relevantes, fundamentadas e passíveis de verificação. O documento defende que o jornalismo questione os candidatos, confronte versões, contextualize os acontecimentos e exija respostas objetivas. A nota também afirma que a neutralidade diante de informações falsas não representa imparcialidade.
Entre os temas que, segundo a entidade, deveriam ocupar o centro do debate estão saúde, educação, emprego, renda, desigualdade, segurança, soberania nacional, meio ambiente e direitos sociais. A Fenaj avaliou que o futuro do país exige propostas concretas, e não falas voltadas à produção de cortes para as redes sociais.
A federação defendeu a revisão dos modelos de debates eleitorais. Entre as medidas sugeridas estão regras efetivas para assegurar respostas objetivas, intervenção editorial diante de informações comprovadamente falsas e responsabilização pelo descumprimento das normas.
De acordo com a nota, essas medidas não teriam o objetivo de restringir o contraditório ou orientar o pensamento dos eleitores, mas de garantir o direito constitucional à informação de qualidade e impedir que a desinformação comprometa a liberdade de escolha.
Ao final, a Fenaj reafirmou o compromisso com a liberdade de imprensa, a ética profissional, o direito à informação e a defesa da democracia. Para a entidade, debates eleitorais não devem ser tratados como entretenimento, e o jornalismo precisa manter sua responsabilidade diante da sociedade.





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