O deputado federal eleito Rick Azevedo afirmou que sua experiência como balconista de farmácia e a mobilização do Movimento Vida Além do Trabalho (VAT) contribuíram para a aprovação do fim da escala 6×1. A Emenda Constitucional 141/2026 foi promulgada pelo Congresso Nacional na sexta-feira (16) e prevê dois dias de descanso semanal remunerado e jornada máxima de 40 horas. A mudança começa a valer em dezembro deste ano.
Em entrevista à Agência Brasil, Azevedo contou que nasceu em Taipas, no Tocantins, e migrou para o Rio de Janeiro em busca de oportunidades. Segundo ele, a rotina de trabalhar seis dias por semana e descansar apenas um motivou a publicação de vídeos nas redes sociais. O trabalhador relatou que, no único dia de folga, precisava concentrar tarefas domésticas, compras e outras pendências.
“Isso não é viver, é sobreviver”, afirmou o deputado eleito ao descrever a rotina. Os vídeos foram publicados inicialmente sem estrutura profissional e alcançaram trabalhadores que relataram enfrentar a mesma situação. A partir dessa repercussão, foi criado o VAT, que passou a defender nacionalmente o fim da escala 6×1.
A proposta que deu origem à emenda constitucional foi apresentada pelo deputado federal Reginaldo Lopes (PT-MG) em 11 de dezembro de 2019. A PEC 221/2019 previa reduzir a jornada máxima semanal de 44 para 36 horas, mas permaneceu por mais de três anos na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados. A tramitação avançou a partir de 2023.
Inspirada pela mobilização do VAT, a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) apresentou, com mais de 200 parlamentares, a PEC 8/2025, que propunha uma jornada de quatro dias por semana. Os dois textos foram unificados e modificados durante a tramitação até chegar ao formato promulgado pelo Congresso.
Para Azevedo, a campanha reuniu redes sociais, movimentos populares, sindicatos e parlamentares. Ele citou a participação do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), além do apoio de trabalhadores que compartilharam vídeos, assinaram petições e participaram de manifestações. O deputado eleito disse que a mobilização transformou uma reclamação individual em uma pauta nacional.
Na avaliação apresentada na entrevista, a redução da jornada pode ampliar o tempo dedicado à família, aos estudos, à saúde, ao descanso e ao lazer. Azevedo também afirmou que trabalhadores descansados podem adoecer menos e produzir melhor, mas reconheceu que a transição precisará ser organizada, especialmente para pequenos negócios.
O deputado eleito disse ainda que será necessário fiscalizar possíveis tentativas de burlar a nova regra por meio de pejotização fraudulenta, terceirizações ou redução indireta de salários. Entre as prioridades para o próximo Congresso, citou a criação de uma “Bancada CLT” e a articulação com sindicatos e movimentos sociais para evitar retrocessos.
Nas eleições de 2026, Rick Azevedo foi eleito deputado federal com 191.371 votos, tornando-se o candidato mais votado da cidade do Rio de Janeiro e o segundo mais votado do estado, conforme informou a Agência Brasil.




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