A Federação Internacional de Futebol (Fifa) identificou 240.676 publicações ofensivas nas redes sociais durante a Copa do Mundo de 2026. O número corresponde a cerca de 1,4% das mais de 17 milhões de mensagens analisadas entre 9 de junho e 20 de julho. Entre os conteúdos considerados abusivos, 20% tinham cunho racista.
O relatório foi divulgado nesta sexta-feira (9), véspera do Dia Mundial da Saúde Mental, lembrado neste sábado (10). A análise envolveu as plataformas X, antigo Twitter, Instagram, Facebook e TikTok, além das contas oficiais das 48 seleções participantes.
Também foram monitoradas as atividades de 1.606 pessoas ligadas ao torneio, entre elas 1.248 atletas, 188 treinadores e integrantes de comissões técnicas e 170 oficiais de arbitragem. As postagens ofensivas foram direcionadas a 812 indivíduos, o equivalente a 50,6% das pessoas acompanhadas pela entidade.
Do total de mensagens apontadas pela ferramenta de inteligência artificial da Fifa, 477.217 passaram por revisão humana. O sistema de proteção usado pela organização oculta conteúdos considerados indesejados para proteger os participantes das competições.
Segundo a federação, 60,7 milhões de mensagens foram publicadas nas plataformas da Fifa e das seleções durante o Mundial. Desse total, 9,2 milhões de postagens, ou 15%, foram bloqueadas automaticamente antes de serem exibidas ao público.
Um jogador que não teve o nome divulgado recebeu mais de 10 mil mensagens abusivas. Cerca de 40% delas eram racistas. O atleta também foi alvo de ataques homofóbicos, sexistas e transfóbicos. De acordo com o relatório, o volume de ofensas aumentou após comentários de teor racial feitos por uma figura pública e amplamente compartilhados.
Durante a competição, a senadora paraguaia Celeste Amarilla publicou ofensas contra o atacante francês Kylian Mbappé na plataforma X. Ela questionou a identidade do jogador, que nasceu em Paris e é filho de pai camaronês e mãe de origem argelina.
As alegações de corrupção representaram 15% das publicações revisadas, em sua maioria direcionadas à própria Fifa. Outros 14% continham ameaças violentas, com aumento após a vitória da Noruega sobre o Brasil por 2 a 1, nas oitavas de final. Ataques xenofóbicos apareceram em 12% das mensagens.
A seleção da França foi a mais atingida por ataques, com destaque para as ofensas racistas, que corresponderam a 33% dos conteúdos direcionados à equipe. No caso da Inglaterra, ataques racistas e xenofóbicos somados chegaram a 21%. As mensagens questionavam a composição multicultural dos dois elencos.
Em comunicado, o presidente da Fifa, Gianni Infantino, afirmou que a entidade mantém o compromisso de proteger a comunidade do futebol contra mensagens de ódio nas redes sociais, inclusive conteúdos produzidos por pessoas e imagens geradas por inteligência artificial.





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