Blog Anderson Souza · há 21 meses

Quem é Yahya Sinwar, conhecido como 'açougueiro de Khan Yunis' e declarado morto por Israel

Blog Anderson Souza · há 21 meses

WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS) – Arquiteto dos atentados terroristas de 7 de outubro e chefe do Hamas, Yahya Sinwar foi assassinado por Israel em uma operação na Faixa de Gaza, afirmou o Exército do Estado judeu nesta quinta-feira (17). A morte ainda não foi confirmada pela facção.

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Conhecido como “o açougueiro” devido à violência de suas ações, Sinwar (pronunciar-se “sinuár”) era o principal alvo de Tel Aviv na guerra contra a milícia palestina -o governo de Binyamin Netanyahu costuma dizer que o conflito só terminaria com o desmantelamento do grupo.

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Sinwar nasceu em Khan Yunis, no sul de Gaza. Refugiados, seus pais estavam entre os mais de 700 mil palestinos expulsos de suas terras com a criação do Estado de Israel, em 1948. Trata-se de um elemento importante na formação política de Sinwar.

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Nos anos 1980, ele foi um dos responsáveis por criar o Majd, uma espécie de aparato de segurança interna que perseguia e matava palestinos suspeitos de colaborar com Tel Aviv. Sinwar enforcava e esfaqueava os inimigos, segundo as investigações da Justiça israelense. Vem daí a alcunha de “açougueiro de Khan Yunis”.

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Ele conheceu Ahmed Yassin, um dos fundadores do Hamas, enquanto rezava em uma mesquita de Gaza. Mais tarde, participou da Primeira Intifada, os levantes palestinos contra Israel de 1987 a 1993. Capturado por Israel em 1988, foi condenado a quatro prisões perpétuas. Passou 22 anos na cadeia -boa parte da vida adulta. Mesmo preso, continuou a coordenar a perseguição aos colaboradores palestinos.

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A liberdade veio em 2011, quando Israel soltou 1.026 palestinos em troca do soldado Gilad Shalit, capturado pelo Hamas. Sinwar foi um deles. A atenção recebida durante a soltura contribuiu para sua ascensão.

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Esse longo período atrás das grades explica, em parte, a insistência de Sinwar na libertação dos presos palestinos e a estratégia de capturar civis e soldados israelenses durante os atentados de outubro. O Hamas sequestrou cerca de 240 pessoas, usadas como moeda de troca nas negociações com Israel. No cessar-fogo do fim de novembro, a facção libertou dezenas delas em troca da soltura de detentos palestinos.

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Relatos divulgados após o início do conflito, feitos por pessoas que conviveram com ele, descrevem Sinwar como alguém radical, inflexível e obsessivo.

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Um membro da inteligência interna israelense que o interrogou por mais de 150 horas disse ao jornal The Washington Post que Sinwar, certa vez, obrigou um palestino a enterrar vivo seu próprio irmão, acusado de ser informante de Israel. Acredita-se, também, que em 2015 Sinwar participou da tortura e morte de Mahmud Ishtiwi, um comandante do Hamas acusado de corrupção.

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Ishtiwi também teria sido punido pela suspeita de ser homossexual -a facção terrorista prega uma interpretação bastante radical do islã, que não é seguida por todas as pessoas dentro de Gaza.

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Sinwar passou a chefiar o Hamas dentro de Gaza em 2017, quando sucedeu Ismail Haniyeh, também morto no final de julho em Teerã. Nas últimos meses, foram mortos também Mohammed Deif, líder militar da facção, e Marwan Issa, número dois de Deif, ambos em Gaza.

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Em certa medida, o radicalismo de Sinwar reforçou o discurso das autoridades israelenses de justificar a guerra como uma batalha do bem contra o mal, retórica explorada desde o início por Netanyahu. Segundo a agência de notícias Reuters, o ministro da Defesa israelense, Yoav Galant, tinha uma fotografia de Sinwar na parede de seu escritório, para lembrá-lo do objetivo maior.

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