Blog Anderson Souza · há 44 meses

Proteção deve ser concedida no momento da denúncia de ameaça contra mulher, aprova CCJ

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Medidas protetivas de urgência devem ser concedidas sumariamente às mulheres a partir da denúncia a qualquer autoridade policial, ou a partir de alegações escritas, aprovou a Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) nesta terça-feira (13).

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De acordo com (PL) 1.604/2022, que agora segue para a Câmara dos Deputados, as medidas protetivas só poderão ser suspensas caso fique comprovada a inexistência de risco à integridade física, sexual, psicológica, patrimonial ou moral da mulher ou eventuais dependentes.

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Autora do projeto, a senadora Simone Tebet (MDB-MS) afirmou que o objetivo é evitar interpretações diversas de juízes ou policiais, que se valem de supostas brechas na Lei Maria da Penha (Lei 13.240, de 2006) para não conceder a proteção, deixando assim de aplicar a norma. Segundo Simone, o projeto “é o mais importante” apoiado pela Bancada Feminina nos 8 anos de seu mandato, que se encerrará em janeiro.

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Isso porque pode, diretamente, salvar vidas de muitas mulheres.

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” Sem esse projeto, ficamos na mão da jurisprudência dos tribunais. Que às vezes entendem possível, mas muitas vezes também entendem não ser possível estender as medidas protetivas que salvam vidas.

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Mas nos casos de violências contra mulheres, atrasar a adoção de medidas protetivas, ainda que por segundos, horas ou dias, pode ser a diferença entre salvar ou não muitas vidas ” disse Tebet, acrescentando que o PL 1.604/2022 também se aplica a menores de idade e idosos.

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A relatora foi a senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA), que, com base em dados oficiais, demonstrou que a violência contra a mulher tem crescido. No período de medidas mais restritivas para conter a pandemia, que forçaram muitos casais a conviverem mais, houve 2.451 feminicídios.

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O número de denúncias de agressões físicas e psicológicas a mulheres, feitas às Polícias, também cresceu 16{65e92a32c7f9b25590cc2d61e04253d32060d95fb1e6b1b3851973306b5da30d} durante o período. E em 2021, uma mulher foi morta “pela condição de ser mulher” a cada 7 horas, ressaltou Eliziane Gama.

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Diante da “pandemia de violência”, a senadora afirmou que o PL 1.604/2022 recupera a aplicação da Lei Maria da Penha “na sua essência, recupera o espírito dessa lei”. Ela lamentou que a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ) tem caminhado no sentido de que, para aplicar a lei, os juízes devem analisar em cada caso se a violência teria sido ou não baseada no gênero. O que diminui a proteção às mulheres.

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” Conceder medidas protetivas urgentemente, com a redução do espaço para que julgadores possam indeferi-las, amplia a proteção. A retirada da proteção só se dará quando for comprovada a inexistência de riscos à mulher e seus dependentes. O PL 1.604/2022 também desvincula a existência de tipo penal, ação penal, inquérito ou boletim de ocorrência na concessão da proteção.

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E explicita que as medidas se mantêm enquanto houver riscos à ofendida ou seus dependentes ” explicou a relatora.

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Eliziane Gama acrescentou que o projeto deixa claro que a Lei Maria da Penha é para qualquer conduta violenta baseada no gênero praticada contra mulheres, “independente da motivação”. De acordo com a relatora, isso é “muito importante”, porque dificulta “interpretações” que restringem a aplicação da lei, segundo Eliziane.

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Durante a votação, Simone Tebet afirmou que “tudo tem sido motivo para não se aplicar a Maria da Penha”.

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” Tudo tem sido motivo para não aplicar a lei. Alegam que são conflitos familiares ou domésticos, de visitação a filhos, conflitos patrimoniais, uso de álcool ou drogas pelo agressor ou pela vítima, suposta ausência de vulnerabilidade, transtornos mentais, deficiências, ausência de coabitação ou dependência financeira, idade jovem ou avançada, ou a prática concomitante de violência contra o homem ” lamentou a senadora.

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Para Tebet, seja como motivo principal, pretexto ou elemento contextual, a questão de gênero sempre está presente na violência contra mulheres, “de modo explícito ou implícito, consciente ou inconsciente”, observou a senadora.

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” A questão de gênero é um fato objetivo, sempre subjacente na violência doméstica e familiar, já que irmãs sofrem mais violência que irmãos, idosas sofrem mais violência que idosos, e mulheres sofrem mais agressões por parte de parceiros e familiares drogados ou bêbados do que os homens ” argumentou.

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O PL 1.604/2022 segue para análise da Câmara, e Simone Tebet fez um apelo aos colegas para que não haja qualquer recurso visando levá-lo antes à votação no Plenário do Senado.

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Também na reunião da CCJ, vários senadores criticaram a inação de instituições que, pela inércia, estariam contribuindo para que militantes inconformados com a derrota de Jair Bolsonaro na eleição presidencial provoquem vandalismos e outras ações contrárias ao interesse coletivo. Eles se referiram ao ataque, na noite desta segunda-feira (12) à sede da Polícia Federal em Brasília.

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Além de bloquear uma das vias da cidade, militantes agrediram policiais, provocaram incêndios e depredações de veículos e ônibus coletivos, entre outros casos de violência.

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Simone Tebet lembrou que muitos desses militantes estão há semanas acampados na frente do quartel-general (QG) do Exército em Brasília. Além disso, muitos dos casos de vandalismo ocorridos na segunda se deram em áreas de segurança nacional.

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” Depredações e vandalismos que jamais imaginávamos ver não vão intimidar a democracia. Esses criminosos precisam ser punidos pelo caos que causaram. Já fiz um requerimento para que o ministro da Justiça compareça ao Senado, desde que muitas estradas foram bloqueadas por militantes, que impediram que crianças e outros doentes fossem atendidos em hospitais, e prejudicaram a distribuição de remédios e alimentos.

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O Parlamento, por exemplo, precisa dialogar, nas pessoas dos presidentes Rodrigo Pacheco e Arthur Lira, com as Forças Armadas, visando mais esclarecimentos sobre acampamentos no QG do Exército e outras situações ” disse a senadora.

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Para o senador Fabiano Contarato (PT-ES), o que os militantes bolsonaristas têm feito equivale a terrorismo político. Ele duvida que haveria leniência das autoridades se acampamentos em frente ao QG do Exército caso fossem feitos por grupos que representam “negros, indígenas e outros grupos de excluídos ou miseráveis”.

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” O mais preocupante é a omissão das autoridades, a omissão do ministro da Justiça, a omissão do Exército quando essas pessoas estão acampadas ali. Queria ver se fossem outros movimentos que estivessem acampados. Queria ver se fossem pretos e pobres que estivessem agindo com atos terroristas, tentando invadir a PF, se não seriam recebidos a bala, se não estariam presos. Nesses atos terroristas, quantas pessoas a PF prendeu?

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Quem está sendo responsabilizado? Porque se não houver isso, as instituições tem que ser responsabilizadas por prevaricação. Como podem as instituições ficarem omissas? Qual é o comportamento do ministro? O que a PF fez efetivamente pra prender e responsabilizar os responsáveis? ” questionou.

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Para o senador Veneziano Vital do Rego (MDB-PB), “a ação vândala de bolsonaristas” em Brasília mostra desapreço pela democracia, pela Constituição e ao Estado Democrático de Direito. Para ele, a ação está intimamente ligada ao silêncio de Jair Bolsonaro e outras autoridades, que não condenam crimes como esses nem tomam ações punitivas e efetivas.

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O presidente da CCJ, senador Davi Alcolumbre (União-AP), se somou ao questionamento de Contarato. Os senadores Eliziane Gama e Jorge Kajuru (Podemos-GO) também condenaram os atos de vandalismo.

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