Blog Anderson Souza · há 32 meses

Pesquisa polêmica gera macaco geneticamente modificado que brilha

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Pela primeira vez, cientistas conseguiram criar em laboratório um primata quimérico, ou seja, com grande quantidade de células-tronco de um animal implantadas em um outro embrião.

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O filhote foi sacrificado 10 dias após o nascimento, devido ao agravamento de sua condição respiratória e à hipotermia.

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Os resultados da pesquisa foram publicados na quinta-feira (09) na revista científica Cell.

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De acordo com os autores, eles poderão ajudar a compreender melhor as chamadas células estaminais pluripotentes em primatas e humanos, o que poderia acarretar, no futuro, em modelos animais mais precisos para o estudo de doenças neurológicas e para outros estudos biomédicos e, em uma visão mais otimista, até no cultivo de órgãos para transplantes em humanos.

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Na mitologia grega, Quimera é uma criatura híbrida. Já na biologia, o termo é usado para se referir a algo composto por células geneticamente diferentes.

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Macaco brilhanteNo estudo, foram usadas células-tronco embrionárias (CTE), que podem dar origem a qualquer tecido do corpo.Os pesquisadores implantaram este tipo de célula de um animal da espécie Macaca fascicularis no embrião de um outro macaco da mesma espécie. No estágio estudado, o embrião ainda não estava muito desenvolvido e consistia em no máximo 32 células.

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De acordo com os pesquisadores, alguns dos órgãos e tecidos do filhote se desenvolveram mais a partir de suas próprias células e outros, mais a partir das células implantadas. Os tipos de tecidos contendo CTE incluíam o cérebro, o coração, os rins, o fígado e o trato gastrointestinal, bem como os testículos e as células que eventualmente se transformam em espermatozoides.

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As células-tronco implantadas foram marcadas com uma proteína verde fluorescente para determinar quais tecidos continham células derivadas delas -além de outros testes para confirmar sua presença.

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Por essa razão, nas fotos do macaco, as pontas dos dedos e os olhos, por exemplo, brilham levemente em verde, mostrando que nessas partes do corpo há muitas células provenientes das implantadas.

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Segundo os pesquisadores, as células modificadas eram responsáveis por cerca de um terço do macaco. No caso dos chamados neurônios motores -as células nervosas que controlam os músculos- esse número chegou a 90%.Em tentativas anteriores, embora presentes, as células do doador eram escassas e não contribuíam, de fato, para a formação de tecidos. Por isso, o animal não poderia ser enquadrado como “quimérico”.

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Primeiro primata quiméricoO filhote de macaco não é o primeiro animal quimérico a ser criado com sucesso em laboratório. Camundongos quiméricos têm sido usados para fins de pesquisa há muito tempo. O avanço em relação a essa pesquisa é que, pela primeira vez, foi criado um primata, grupo ao qual pertencem os seres humanos.

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O objetivo, segundo os autores do estudo, é pesquisar doenças vindas de alterações prejudiciais em determinados genes, identificando em que ponto do desenvolvimento o defeito genético é mais sério, a fim de desenvolver medidas terapêuticas que possam reduzir esses efeitos ou talvez até preveni-los.

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Uma das vantagens do estudo com animais quiméricos é que as células adicionadas podem ser geneticamente modificadas de forma relativamente pensada -algo que não é possível em embriões sem destruí-los.

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Dessa forma, modificações genéticas complexas podem ser introduzidas nesses animais para apresentar sintomas de certas doenças e, posteriormente, estudar formas de tratá-las.Em uma visão mais utópica, os especialistas também esperam que, no futuro, seja possível cultivar em animais quiméricos órgãos para doação.

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Por exemplo: criar um porco em laboratório sem um órgão específico e, a partir da introdução de células-tronco humanas, criar o órgão humano a ser transplantado.

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POLÊMICA ÉTICAA pesquisa na China, além do filhote vivo, deu origem, também, a um feto quimérico abortado. Mas, para esse resultado, foram necessárias mais de 200 tentativas.

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Por essa razão, o experimento gerou polêmica no campo da ética. Devido à semelhança entre humanos e primatas não humanos, aplicam-se regras especiais a este tipo de estudo. Por exemplo: esses experimentos só são aprovados se não houver outra forma de atingir o resultado desejado. Com algumas exceções, os experimentos com grandes símios, ou seja, chimpanzés, gorilas e orangotangos, são completamente proibidos.

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