Blog Anderson Souza · há 19 meses

Macron culpa extremos por 'frente antirrepublicana' que derrubou primeiro-ministro

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BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O presidente da França, Emmanuel Macron, afirmou nesta quinta-feira (5) que a ultradireita e ultraesquerda formaram uma “frente antirrepublicana” responsável por derrubar o premiê Michel Barnier.

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A declaração foi dada em pronunciamento horas após o presidente francês aceitar a renúncia Barnier. A Assembleia Nacional havia aprovado, nesta quarta (4), moção de censura contra ele.

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A ausência de um novo nome aprofunda incertezas na França, segundo maior PIB da zona do euro. Os efeitos da instabilidade política no país, somados a um cenário complexo na economia, podem fazer ondas também na União Europeia.

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A remoção de Barnier, aliás, surgiu desse cenário. O premiê viu uma improvável concordância entre esquerda e ultradireita na votação para retirá-lo do cargo após ele forçar a passagem de uma lei de orçamento que não agradou nenhum dos dois campos opositores.

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“Chegamos ao momento da verdade. Cabe agora aos membros do Parlamento decidir se nosso país terá um orçamento responsável e indispensável ou se entraremos em território desconhecido”, havia dito Barnier em discurso na Assembleia Nacional antes de ser removido.

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A razão para o novo capítulo da prolongada crise política francesa foi o uso de um dispositivo constitucional que permite ignorar o Parlamento na aprovação de uma legislação.

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Criticado por sua essência antidemocrática, o artigo 49, alínea 3 da Carta, conhecido como 49.3, foi usado outras vezes pelo governo Macron, como na aprovação da reforma da Previdência em 2023.

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Pela regra, a Assembleia Nacional tem 24 horas após a ativação desse dispositivo para entrar com moções de censura contra o premiê, que é o chefe de governo na França -o presidente ainda detém uma série de funções executivas e poder, razão pela qual o sistema francês é visto como semipresidencialista.

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É prerrogativa do presidente, por exemplo, dissolver a Assembleia Nacional e antecipar eleições legislativas. Foi ao tomar essa decisão, em junho deste ano, que Macron deu o pontapé da crise política atual.

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O presidente francês havia sofrido acachapante derrota na eleição para o Parlamento Europeu, ocasião em que a ultradireita liderada por Marine Le Pen e Jordan Bardella venceram com ampla margem em todo o país.

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A ideia de Macron ao convocar de forma surpreendente o novo pleito nacional naquele momento foi galvanizar apoio em torno de seu grupo político ante uma esquerda fragmentada e assustada com o avanço da ultradireita.

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O resultado, no entanto, foi no mínimo ambíguo. Por um lado, o centro político que o apoia manteve-se como a segunda força na Assembleia Nacional; por outro, viu a ultradireita crescer e atrair nomes da direita, e não conseguiu evitar que a esquerda concorresse em um bloco unificado que se tornou o maior da Casa.

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Assim, a Assembleia Nacional francesa se dividiu em três grandes grupos não majoritários que, na prática, só se assemelham em seu tamanho e na incapacidade de estabelecer diálogos produtivos um com o outro.

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A própria nomeação de Barnier como primeiro-ministro refletiu esse impasse -foram dois meses entre o resultado do pleito e a indicação do político conservador para o cargo. As críticas mais agudas vieram da esquerda, que reivindicava o posto, já que era a maior coloração parlamentar, mesmo sem maioria.

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Le Pen, no flanco da direita radical, tentou extrair concessões de Barnier, como a retirada do aumento na taxa de eletricidade proposta, e medidas relativas ao reembolso na compra de medicamentos.

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Barnier chegou a aceitar alguns pontos da negociação, mas não o suficiente para conseguir o apoio de Le Pen. A decisão improvável de se juntar à esquerda se explica pelas pretensões presidenciais de Le Pen 2027, quando Macron não poderá tentar a reeleição. Ela, inclusive, chegou a pedir que Macron renunciasse ante o impasse na Assembleia Nacional.

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