Blog Anderson Souza · há 27 meses

Leona Cavalli vive a loucura de Erasmo de Rotterdam em retorno aos monólogos

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(FOLHAPRESS) – “Todos os animais aceitam viver dentro dos limites de sua condição, só os humanos querem ultrapassá-los”, brada Leona Cavalli, vestindo um casaco de pele e uma coroa dourada de máscaras. Ela parece uma entidade, mas é a loucura encarnada de Erasmo de Rotterdam.

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A ideia de adaptar para os palcos “Elogio da Loucura”, livro escrito em 1509 pelo filósofo holandês, partiu da própria atriz e foi acatada com entusiasmo pelo diretor Eduardo Figueiredo. “A visão da loucura é necessária para a lucidez de todos nós. Sob a ótica da loucura, o mundo é louco, mas ela é lúcida”, diz Cavalli, sobre a obra escrita há mais de 500 anos.

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No monólogo, Cavalli dá voz à própria loucura, assim como fez Rotterdam na sátira que se tornou grande influência para o pensamento humanista cristão. As denúncias afiadas à hipocrisia, intolerância, ao governo e à Igreja medieval parecem ter sido escritas hoje. “A história se repete, e essa é uma das grandes loucuras que vivemos enquanto humanidade”, afirma.

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“Em muitos momentos, as pessoas têm certeza de que [o texto] é uma adaptação nossa, só que não é. É incrivelmente contemporâneo”. Exemplo é quando a loucura zomba do governante que desdenha da ciência e bajula o povo para ser aclamado como mito.

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Em diversos momentos, para dar agilidade ao texto, Cavalli quebra a quarta parede com provocações direcionadas ao público. A adaptação surgiu para aproximar a plateia virtual quando a peça foi apresentada pela primeira vez durante a pandemia, no circuito Sesc em Casa.

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Tirando essa interpretação em vídeo, o último monólogo de Cavalli, “Máscara de Penas Penadas”, tinha sido encenado em 2010. Mas foi justamente a solidão no palco que lançou a atriz para o sucesso, em 1985, quando estrelou “A Valsa nº 6”, de Nelson Rodrigues. Ela tinha 16 anos.

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A partir dali, acumulou prêmios no teatro até estrear no cinema em 1996 com “Um Céu de Estrelas”, de Tata Amaral. Foi discípula de José Celso Martinez, o Zé Celso, que a dirigiu nas peças “As Troianas” e “Ham-let” no Teatro Oficina e em “Fausto”, em 2022. Em 2000, interpretou mais uma vez um texto de Nelson no palco, “Toda Nudez Será Castigada”, que lhe rendeu o prêmio Shell de melhor atriz.

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Dois anos depois fez “Os Normais”, sua estreia na TV Globo, e não parou mais. Na emissora, acumula participações em folhetins como “Da Cor do Pecado”, “As Cariocas”, “Gabriela” e “Amor à Vida”.

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Fez uma brevíssima passagem pela Record em 2017, mas voltou para a Globo. Em “Terra e Paixão”, novela das nove que antecedeu a atual “Renascer”, foi Gladys, ex-chefe da protagonista Aline, vivida por Bárbara Reis.

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Recentemente também atuou em uma série para a Star+, “O Rei da TV”, sobre Silvio Santos, e tenta se manter otimista quanto a debandada de atores e atrizes das grandes emissoras. “A não exclusividade parece um movimento inexorável no mundo. Está afetando a televisão e todo o sistema audiovisual, mas eu acho positivo, pela diversidade de produções.”

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A rotina agitada pelos sets de televisão não interferiu na fidelidade de Cavalli pelos palcos. “O teatro é essencial para mim. É onde tudo nasce, onde tudo começa” diz. Seguiu com o gosto por matar um leão por dia, como se diz no bordão popular dos teatros, nos últimos 20 anos.

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Agora, além de “Elogio da Loucura”, também está em cartaz no Rio de Janeiro com “Ser Artista”, em que interpreta dez grandes atrizes brasileiras, como Bibi Ferreira, Marília Pêra e Tônia Carrero.

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Apesar das dificuldades financeiras enfrentadas pelos teatros, Cavalli vê com bons olhos a retomada pós-pandêmica. “Vivemos um momento de predominância da imagem na mídia, e a força do teatro está potente e renascida. Quanto mais cresce o distanciamento pela tecnologia, mais cresce a necessidade do encontro ao vivo, que só o teatro que proporciona. Aquilo está sendo feito só para quem está ali.”

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ELOGIO DA LOUCURAQuando: Sáb., ás 21h; dom., às 20h30. Até 4 de maioOnde: Teatro J. Safra – r. Josef Kryss, 318, São PauloPreço: R$ 25 a R$ 80Classificação: 12 anosElenco: Leona CavalliDireção: Eduardo FigueiredoLink: https://www.eventim.com.br/artist/elogio-loucura/?affiliate=JSA

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