Blog Anderson Souza · há 32 meses

Israel avalia última lista de reféns, e pressão internacional para estender trégua cresce

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A trégua entre Israel e Hamas entra no último dia nesta segunda-feira (27) com negociações em curso para tentar prolongar o acordo, a despeito de um possível impasse na lista de capturados pelo grupo terrorista que podem ser soltos.

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O gabinete do primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, afirmou ter recebido os nomes do quarto e último grupo de reféns a serem libertados, mas disse que está avaliando a lista. Os familiares dos sequestrados não foram notificados, de acordo com a imprensa local.

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“Estão sendo realizadas discussões sobre a lista que foi recebida durante a noite e que está sendo avaliada em Israel. Informações adicionais serão divulgadas quando possível”, diz o comunicado desta segunda do premiê.

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Uma fonte com proximidade do assunto disse à agência de notícias Reuters em condição de anonimato que há um problema com as listas desta segunda e que mediadores do Qatar estavam trabalhando com Israel e com o Hamas para evitar atrasos.

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Em um comunicado, o grupo palestino afirmou que busca “prolongar a trégua além dos quatro dias” com o objetivo de aumentar o número de prisioneiros palestinos libertados por Israel, como estava previsto no acordo. Uma fonte próxima ao Hamas declarou à agência de notícias AFP que o grupo informou aos mediadores ser partidário de uma extensão de dois a quatro dias.

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O acordo, negociado pelo Qatar com o apoio dos Estados Unidos e do Egito, entrou em vigor na sexta-feira (24). A negociação prevê quatro dias de trégua, entrada de ajuda humanitária em Gaza, libertação de 50 reféns dos mais de 200 mantidos em Gaza e saída de 150 detentos palestinos das prisões israelenses.

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Desde então, 39 reféns e 117 presos palestinos foram libertados. Outros 24 sequestrados, a maioria tailandeses que trabalhavam em Israel, foram liberados à margem do acordo. Uma cláusula da negociação permite a ampliação da trégua com a libertação diária de 10 reféns do Hamas em troca de 30 presos palestinos em Israel.

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Entre os reféns liberados no domingo está uma menina de quatro anos de nacionalidade americana, Abigail, que ficou órfã no ataque dos Hamas contra Israel em 7 de outubro.

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Uma fonte do governo dos Estados Unidos afirmou que a mãe morreu diante da criança e o pai foi assassinado quando tentava proteger a menina. Abigail, que completou quatro anos no cativeiro, buscou refúgio na casa dos vizinhos, onde foi sequestrada.

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“Ela sofreu um trauma terrível”, disse o presidente americano, Joe Biden, que defendeu a prorrogação da trégua. “Meu objetivo é garantir que esta pausa continue além de amanhã [segunda] para que possamos ver mais reféns liberados e mais ajuda humanitária.”

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Netanyahu, porém, se mostrou ambíguo sobre a questão. “Os dispositivos preveem a libertação de mais 10 reféns a cada dia e é uma bênção. Mas também disse ao presidente que depois do acordo voltaremos ao nosso objetivo: eliminar o Hamas”, declarou o político israelense sobre uma conversa com Biden.

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O chefe de Governo de Israel, que solicitará nesta segunda um “orçamento de guerra” de 30 bilhões de shekels (R$ 39 bilhões), afirmou na sexta que a ofensiva continuará “até a vitória”.

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Israel iniciou a ofensiva contra o território após o ataque do Hamas em 7 de outubro, de violência e dimensão sem precedentes desde a fundação do país, em 1948. As autoridades israelenses afirmam que 1.200 pessoas morreram no ataque dos combatentes do Hamas e que quase 240 foram sequestradas e levadas para a Faixa de Gaza.

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Entre os mortos estão mais de 300 militares ou integrantes das forças de segurança israelenses.

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A violenta resposta israelense no território palestino, alvo de bombardeios incessantes e de uma ofensiva terrestre desde 27 de outubro, deixou 14.854 mortos, incluindo 6.150 menores de idade, segundo o Hamas. Além disso, a Defesa Civil de Gaza calcula que 7.000 pessoas estão desaparecidas.

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A trégua ofereceu um alívio aos moradores de Gaza, mas a situação humanitária continua “perigosa” e as necessidades “sem precedentes”, afirmou a agência da ONU para refugiados palestinos (UNRWA).

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A ONU informou que 248 caminhões de ajuda entraram desde sexta-feira na Faixa de Gaza, onde Israel aplica desde 9 de outubro um “cerco total”, que impede o abastecimento de água, comida, energia elétrica e remédios.

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“Deveríamos enviar 200 caminhões por dia durante pelo menos dois meses para responder às necessidades”, declarou à AFP Adnan Abu Hasna, porta-voz da UNRWA, antes de informar que em algumas áreas não há “água potável, nem comida”.

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