Blog Anderson Souza · há 22 meses

Dólar fecha em queda e Bolsa sobe, com apostas de corte maior nos juros dos EUA

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O dólar fechou em queda firme de 0,90% nesta sexta-feira (13), a R$ 5,566, com o mercado voltando a debater sobre o tamanho do corte que o Fed (Federal Reserve, o banco central dos EUA) deverá fazer na taxa de juros.

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As autoridades da política monetária se reunirão na semana que vem, e os investidores especulam se a redução será de 0,25 ou 0,50 ponto percentual.

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As apostas de um corte maior derrubaram o dólar globalmente e fomentaram a busca por ativos de maior risco. A Bolsa brasileira, diante do novo fôlego, fechou em alta de 0,63%, aos 134.881 pontos.

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Os ajustes nas previsões sobre a política monetária dos Estados Unidos acontecem poucos dias antes da reunião do Fed que deverá dar início ao aguardado ciclo de afrouxamento nos juros, marcada para 17 e 18 de setembro. A taxa está na faixa de 5,25% a 5,5% desde julho do ano passado -o patamar mais restritivo em duas décadas.

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Ao longo da semana, dados de inflação ao consumidor acima do esperado para agosto e números benignos no mercado de trabalho haviam consolidado previsões em torno de uma redução de 0,25 ponto percentual.

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Apostas de um corte de 0,50 ponto, porém, voltaram a ganhar espaço entre os operadores. O ex-presidente do Fed de Nova York, Bill Dudley, afirmou que há um forte argumento a favor da redução maior, enquanto veículos de imprensa chamaram a decisão de “apertada”.

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Na quinta-feira, o corte de 0,25 ponto reunia 87% dos agentes financeiros, segundo a ferramenta FedWatch, com os 13% restantes centrados na redução de 0,50. Agora, as proporções são de 51% e 49%, respectivamente, indicando um mercado dividido.

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O Fed trabalha com um mandato duplo, isto é, observa de perto os dados de inflação e trabalho para decidir sobre os juros. O objetivo é atingir o chamado “pouso suave”, quando índices inflacionários convergem para a meta sem maiores danos à empregabilidade do país.

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Um corte de 0,50 ponto permitiria ao Fed retornar os custos de empréstimos a níveis normais mais rapidamente, removendo restrições à economia e protegendo o mercado de trabalho de mais fraqueza.

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Por outro lado, poderia gerar interpretações de que o banco central está preocupado com a perspectiva econômica, levando os mercados financeiros a precificar uma redução mais dramática nas taxas a partir da seman.

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“Pode-se argumentar por 0,50 ponto, mas as comunicações em torno disso são complicadas e não há uma razão convincente para assumir esse desafio”, disse Loretta Mester, que se aposentou como presidente do Fed de Cleveland em junho.

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A retomada da incerteza em relação ao tamanho do corte derrubou os rendimentos dos Treasuries, os títulos ligados ao Tesouro dos EUA, o que tornou o dólar menos atrativo para investimentos globalmente.

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Para o real, outro fator de relevância ainda entrou na conta: a discussão em torno da taxa básica de juros do Brasil, a Selic, atualmente em 10,50% ao ano.

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Desde a última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), em julho, dirigentes do BC (Banco Central) têm reiterado que um novo ciclo de aperto está à mesa para levar a inflação de volta ao centro da meta, caso os dados macroeconômicos indiquem necessidade.

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O comitê trabalha com a meta de inflação em 3%, definida pelo CMN (Conselho Monetário Nacional, órgão ligado ao Ministério da Fazenda) e com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima e para baixo.

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A taxa básica de juros é o principal instrumento do BC para controlar a alta de preços.Na terça-feira, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostrou que o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), indicador oficial do país, teve queda de 0,02% em agosto. No acumulado do ano, passou a registrar uma inflação menor, de 4,24% -uma desaceleração dos 4,5% de julho, o teto da meta do BC.

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A deflação não reverteu apostas de que a Selic irá subir 0,25 ponto já na próxima reunião do BC, também marcada para os dias 17 e 18 de agosto. A percepção do mercado foi reforçada com dados do setor de serviços, divulgados pelo IBGE na quarta, e vendas no varejo, na quinta.

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Já nesta sexta, os dados do IBC-Br (Índice de Atividade Econômica do BC), considerado uma espécie de “prévia” do PIB, mostrou que a economia brasileira recuou 0,4% em julho em comparação ao mês anterior. O resultado marcou perdas em relação a junho, quando houve avanço de 1,4%, mas ainda foi melhor do que a expectativa em pesquisa da Reuters, de queda de 0,9%.

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O dado indica “um nível de atividade ainda forte, o que reforça o cenário de alta em 0,25 ponto na Selic”, diz Patrícia Krause, economista-chefe para a América Latina da Coface.

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Quanto maiores os juros no Brasil e menores nos Estados Unidos, melhor para o real, que se torna mais atraente para investimentos de “carry trade” -isto é, quando investidores tomam empréstimos a taxas baixas e aplicam recursos em moedas de países de taxas altas, para rentabilizar sobre o diferencial de juros.

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Na cena corporativa, a Vale subiu 0,67%, mesmo com a desvalorização do minério de ferro na China. Já a Petrobras reverteu os ganhos de mais cedo, com os papéis preferenciais e os ordinários em queda de 0,46% e 0,29%, respectivamente, apesar do avanço do petróleo no exterior.

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As ações da petroleira foram afetadas por falas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que chamou de “bando de imbecis” aqueles que defendem a privatização da estatal e afirmou que a operação Lava Jato não visava prender corruptos, mas sim desmoralizar a companhia para vendê-la.

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Outro destaque do pregão foi a disparada de 22,52% dos papéis da Azul, em meio a notícias de que a companhia aérea estaria perto de chegar a um acordo de reestruturação de dívidas com arrendadores de aviões. A empresa, segundo a agência Reuters, estaria oferecendo ações para pagar cerca de US$ 600 milhões em dívidas.

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