Blog Anderson Souza · há 29 meses

Congresso articula limitar poder do governo sobre imposto criado por reforma tributária

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(FOLHAPRESS) – Deputados de frentes parlamentares como a do agronegócio, do empreendedorismo e do comércio, querem ampliar a influência do Congresso Nacional na definição das alíquotas do imposto seletivo, reduzindo o poder do governo sobre os parâmetros.

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Parlamentares devem apresentar nesta quarta-feira (6) um projeto de lei complementar que pretende demandar que estes percentuais sejam estabelecidos para cada produto -não podendo, por exemplo, um valor geral para um setor- e dar aos parlamentares a possibilidade de revisá-los, e portanto, alterá-los, anualmente.

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Procurada, a Fazenda afirmou que se posicionará formalmente sobre assuntos relacionados ao imposto após o término dos trabalhos de um grupo técnico constituído para analisar a regulamentação do tema, mas lembrou que já compete ao Congresso uma série de atribuições relacionadas a isso, inclusive a participação na definição de alíquotas.

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Pela Reforma Tributária, promulgada em novembro do ano passado, as alíquotas do imposto seletivo devem ser estabelecidas por meio de um projeto de lei ordinário, mas não exigem a discriminação por cada produto.

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A visão de parlamentares, sobretudo de oposição, é que a redação da emenda constitucional possibilita que o governo crie impostos para setores ou tipos de produtos de maneira mais genérica -por exemplo, para laticínios, ou bebidas alcoólicas- via projeto de lei, e depois determine parâmetros mais específicos, sem passar pelo crivo de deputados e senadores, por exemplo.

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O chamado imposto seletivo, também apelidado de imposto do pecado, foi criado na reforma tributária para taxar “produção, extração, comercialização ou importação de bens e serviços prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente”.

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Segundo o texto aprovado no ano passado, tal taxa “terá suas alíquotas fixadas em lei ordinária”.

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A proposta dos deputados, a qual a Folha teve acesso, mantém a previsão, como determinado pela Reforma Tributária, que a definição da aplicação do imposto seletivo seja feita em duas etapas.

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Primeiro, por meio de lei complementar, para determinar os setores ou atividades consideradas danosas ao meio ambiente ou a saúde e que devem ser taxadas. Depois, por lei ordinária, seria definida a alíquota.

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A inovação é a exigência de que “a lei que fixar as alíquotas do Imposto Seletivo, deverá, obrigatoriamente, diferenciar a tributação por produto”.

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Por exemplo, para bebidas alcoólicas, teria que ser discriminado qual a alíquota, por exemplo, para o vinho e para o uísque. No caso de laticínios, para leite, iogurte ou queijos.

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Se eventualmente vier a ser definida uma taxa do imposto sobre cigarros, por exemplo, mas, depois disso, o Congresso vier a aprovar o uso de cigarros elétricos, os chamados vapes, um novo projeto de lei terá que ser enviado pelo Executivo para a análise do parlamento.

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O objetivo é ampliar o poder de definição dos parlamentares sobre estes fatores e também evitar que o governo altere tais parâmetros por medidas como portarias, ou então que novos produtos sejam taxados por analogia -quando se aplica a algo novo um imposto igual a algum semelhante que já tenha tido seu percentual definido anteriormente.

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Os deputados também pretendem exigir que o governo deixe claro, na justificativa do imposto, o dano à saúde ou ao meio ambiente causado por aquele, como ele seria aplicado na redução deste impacto e quais as métricas para aferição do sucesso, ou não, dessa atividade.

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Devem ser respeitados parâmetros como a gradatividade da taxa de acordo com a nocividade do produto à saúde ou ao meio ambiente.

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Essas informações seriam utilizadas para a revisão, anual, destas alíquotas, que por sua vez seria feita por uma comissão parlamentar do Senado Federal e depois submetida ao plenário da Casa -novamente deixando na mão do Congresso tal definição.

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Além disso, a proposta diz que o valor recolhido por essa rubrica deverá ser destinado a um fundo específico, destinado a mitigar os impactos das atividades nocivas à saúde e ao meio ambiente, e promover ações de prevenção e conscientização.

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A proposta deve ser apresentada formalmente nesta quarta-feira (6), pelas frentes do empreendedorismo, da agropecuária, de comércio e serviço, da mineração sustentável e de portos e aeroportos, dentre outras que compõe um grupo de trabalho do Congresso que se debruçou sobre o imposto seletivo.

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